A OpenAI anunciou, na segunda-feira (5), que vai adicionar uma marca d'água invisível, chamada textGrain, a textos do ChatGPT e do Codex gerados na União Europeia, para cumprir a Lei de IA da União Europeia. No mesmo dia, a empresa abriu a opção de ativar a marca d'água para clientes da API em qualquer país, inclusive no Brasil.
O que você precisa saber
- A OpenAI confirmou, em comunicado de 5 de outubro de 2026, que vai adicionar uma marca d'água invisível, chamada textGrain, a textos do ChatGPT e do Codex gerados na União Europeia, para cumprir a Lei de IA da União Europeia.
- A partir do mesmo dia, clientes da API da OpenAI em qualquer país, inclusive no Brasil, podem ativar a marca d'água em modelos selecionados, mas o recurso continua desligado por padrão na API.
- Segundo a OpenAI, editar 10% das palavras de um texto de 400 tokens reduz a taxa de detecção de cerca de 92% para 66%, e editar 25% das palavras reduz para 17%.
- O acesso ao detector da marca d'água fica restrito, por ora, a pesquisadores e organizações aprovadas pela OpenAI: não existe, por ora, uma ferramenta pública para verificar texto.
- A OpenAI afirma que a marca d'água não identifica quem escreveu o texto, não mede quanto do conteúdo é humano ou de IA e não comprova se o texto é verdadeiro.
O que é a marca d'água, o textGrain
A OpenAI batizou a nova tecnologia de textGrain. Em comunicado publicado na segunda-feira (5), a empresa descreve o textGrain como um sinal estatístico invisível, inserido nas escolhas de palavras do texto gerado pelos modelos. Um detector próprio da OpenAI procura esse sinal para apontar se um trecho contém a marca.
Nas próximas semanas, a marca d'água passa a valer, por padrão, para textos elegíveis do ChatGPT e do Codex gerados na União Europeia, em todos os planos. A partir da segunda-feira (5), clientes da API da OpenAI em qualquer país, inclusive no Brasil, já podem optar por ativar a marca d'água em modelos selecionados; a empresa afirma que o recurso continua desligado por padrão na API.
Segundo a OpenAI, a mudança responde à Lei de IA da União Europeia, que exige que provedores de IA generativa tornem texto gerado identificável de forma legível por máquina. A empresa diz que, na mesma data, abriu pedidos de acesso ao detector da marca d'água para pesquisadores e organizações aprovadas; por ora, não há ferramenta pública para verificar texto, diferente do que já existe para imagem e áudio em openai.com/verify.
Nos testes de desempenho que fez com o Astra, seu modelo de fronteira mais recente, a OpenAI diz não ter visto diferença relevante entre texto com e sem a marca d'água:
| Quem | OpenAI |
|---|---|
| O quê | Marca d'água invisível (textGrain) em textos do ChatGPT e do Codex |
| Quando | Anunciado em 5 de outubro de 2026; chega em algumas semanas |
| Onde | ChatGPT e Codex: só na União Europeia. API: qualquer país, por opção do cliente |
| Brasil | Não informado para ChatGPT; a opção na API já vale, como em qualquer país |
| Acesso ao detector | Restrito a pesquisadores e organizações aprovadas pela OpenAI |
| Benchmark | Sem marca d'água | Com marca d'água |
|---|---|---|
| Artificial Analysis Intelligence Index | 49,57 pontos | 49,76 pontos |
| AutomationBench | 34,09% | 34,86% |
| DeepSWE v1.1 | 72,80% | 71,68% |
| Terminal-Bench 4.0 | 53,90% | 56,06% |
| BrowseComp | 87,92% | 87,35% |
| GPQA Diamond | 94,44% | 93,94% |
Como funciona a detecção
A própria OpenAI detalha limites da tecnologia. Em avaliação com passagens de 200 tokens sobre psicologia, visando uma taxa de falso positivo de 1%, o detector identificou a marca d'água em cerca de 80% dos casos; em passagens de 400 tokens, a taxa subiu para cerca de 95%. Para assuntos com menos variação de vocabulário, como matemática, a OpenAI diz que a taxa de detecção foi "substancialmente menor".
Editar o texto também reduz a marca d'água, segundo a empresa. Em passagens de 400 tokens, trocar 10% das palavras por sinônimos baixou a detecção de cerca de 92% para 66%; trocar 25% das palavras baixou a detecção para 17%.
O que a marca d'água não diz
A OpenAI afirma que a marca d'água não identifica quem escreveu o texto, não mede quanto do conteúdo é humano ou de IA, não comprova se o texto é verdadeiro e não define responsabilidade pelo uso. A ausência de marca detectada também não comprova autoria humana: segundo a empresa, o texto pode ser curto, editado, traduzido, vir de um modelo sem a tecnologia, ser anterior a ela ou ter sido gerado pela ferramenta de outra empresa.
A OpenAI diz ainda que planeja abrir o código do textGrain, para outras empresas construírem sobre a tecnologia, e que está trabalhando com provedores de nuvem para oferecer a marca d'água em serviços que hospedam os modelos da empresa, também nas próximas semanas.
O que muda frente à imagem e ao áudio
Antes do textGrain, a OpenAI já tinha ferramentas para identificar imagem e áudio gerados por seus modelos, segundo o próprio comunicado de 5 de outubro. Para imagem, a empresa inclui metadados C2PA e marca d'água SynthID desde 2024, quando começou a marcar as imagens geradas pelo DALL-E 3, de acordo com comunicado da OpenAI de junho de 2026. O textGrain estende esse tipo de sinal, pela primeira vez, ao texto.
A OpenAI diz que, em seus testes, o textGrain "igualou ou superou" o desempenho de outras abordagens avaliadas, incluindo o SynthID para texto, do Google DeepMind. A empresa não detalha os números dessa comparação nem diz se os dois usam o mesmo texto de teste.
Por que importa
O textGrain chega num momento em que empresas e agências de marketing já usam ChatGPT, Codex e ferramentas parecidas para produzir parte do conteúdo que publicam, de posts a trechos de código, tema que já tratamos em inteligência artificial no marketing digital. Por ora, o recurso vale só para o uso europeu do ChatGPT e do Codex, mas a opção na API, válida em qualquer país, abre caminho para que empresas brasileiras que usam a OpenAI por API decidam, por conta própria, se querem declarar o uso de IA no texto que publicam.
Os próprios números que a OpenAI divulga mostram o limite prático da tecnologia: um texto revisado ou reescrito, prática comum em quem usa IA como primeiro rascunho, reduz bastante a chance de detecção. Isso pesa contra qualquer leitura de que a marca d'água, por si, resolve a transparência sobre conteúdo gerado por IA, tema que já tratamos ao explicar como aparecer no ChatGPT.
Na leitura da Voh!, o anúncio confirma uma tendência maior: cada vez mais plataformas de IA e de busca tratam a origem do conteúdo como parte do produto, não como detalhe técnico. Para quem faz marketing de conteúdo com apoio de IA, entender o que esses sinais conseguem e não conseguem provar importa tanto quanto acompanhar a própria ferramenta.