A Visa lançou, na quinta-feira (5), o Visa Agentic Commerce Benchmark, um teste que submeteu 22 modelos de inteligência artificial de 12 laboratórios a 15 desafios de compra, como escolher uma TV, um notebook ou um aparelho de cuidados pessoais. No conjunto, os modelos aprovaram 57,2% das tentativas e falharam em 42,8%, segundo a empresa.
O que você precisa saber
- A Visa lançou, na quinta-feira (5), o Visa Agentic Commerce Benchmark, testando 22 modelos de inteligência artificial de 12 laboratórios em 15 cenários de compra, como escolher uma TV, um notebook ou um aparelho de cuidados pessoais.
- No conjunto dos testes, os modelos aprovaram 57,2% das tentativas e falharam em 42,8%; o melhor modelo acertou 82,2% das vezes, e o pior, 28,9%.
- Em 54% das tentativas que falharam, a IA completou a compra mesmo assim, recomendando um produto fora do que o cliente pedia ou sem descobrir todas as exigências antes de comprar.
- Cada modelo tentou o mesmo cenário três vezes, e as três tentativas só deram certo em 34,2% dos casos, segundo a Visa.
- A Visa diz que o teste e o artigo técnico completo estão públicos, em inglês, no site Visa Payments Frontier, e que vai ampliar os cenários e estender os testes até o pagamento.
O que a Visa testou
Segundo a Visa, fazer compra é uma tarefa difícil para a inteligência artificial porque o consumidor muitas vezes não sabe, de início, tudo o que precisa: pode saber que quer uma TV, mas não quais especificações procura. O benchmark, que a empresa apresenta como inédito no setor, exige que o modelo descubra as necessidades do cliente por meio de uma conversa e, se nenhum produto atender ao pedido, decida não comprar. Para evitar acerto por sorte, a IA precisa reunir informação suficiente para justificar a decisão.
Num dos cenários, que o comunicado apresenta sob o título "Superintelligence Sweep", o cliente pede ajuda para escolher uma TV nova, diz que um parente recomendou uma marca e que tem assinatura de um serviço de terceiros, mas deixa outros detalhes sem dizer. Pela conversa, a IA precisa descobrir o orçamento do cliente e exigências adicionais, como compatibilidade de formato, suporte à tecnologia HDR10+ para vídeo de família e recursos para jogos.
| Quem | Visa |
|---|---|
| O quê | Visa Agentic Commerce Benchmark: teste com 22 modelos de IA de 12 laboratórios em 15 cenários de compra |
| Quando | Lançado na quinta-feira, 5 de novembro de 2026 |
| Taxa de aprovação geral | 57,2% (falha em 42,8% das tentativas) |
| Acesso | Gratuito, em inglês, no site Visa Payments Frontier |
| Brasil | Não informado se o benchmark tem recorte específico para o país |
Onde a aprovação varia mais
O desempenho mudou bastante dependendo do que cada modelo fez durante a conversa com o cliente e de quanto custava rodar cada tentativa, segundo a Visa. A tabela reúne os recortes que a empresa destacou no comunicado.
Segundo a Visa, os modelos que descobriram mais fatores escondidos do pedido durante a conversa, como orçamento e compatibilidade, tenderam a aprovar mais vezes. Mas, submetidos três vezes ao mesmo cenário, os modelos só acertaram as três tentativas em 34,2% dos casos: muitas vezes, o mesmo modelo que tinha aprovado um cenário falhava ao repeti-lo, o que a empresa aponta como sinal de que a experiência ainda não é consistente.
A Visa diz que o resultado não significa que os agentes de IA estão despreparados para o comércio: os modelos com melhor desempenho acertaram 82,2% das tentativas, e o que falta, segundo a empresa, é consistência entre uma tentativa e outra.
| Recorte comparado | Grupo com mais aprovação | Grupo com menos aprovação |
|---|---|---|
| Melhor modelo x pior modelo | 82,2% | 28,9% |
| 5 modelos que mais descobriram pedidos escondidos x 5 que menos descobriram | 70,2% | 44,4% |
| 5 modelos mais caros por tentativa x 5 mais baratos | 67,1% | 50,2% |
A desconfiança que já existia
A Visa liga o resultado a uma pesquisa anterior da própria empresa, o Visa Trust Index, divulgada em 9 de setembro de 2026. Segundo o estudo, conduzido pela Harris Poll com 2.065 consumidores dos Estados Unidos entre 26 e 28 de maio de 2026, 72% já tinham usado algum assistente de inteligência artificial, mas só 23% confiavam numa IA generativa para fazer o pagamento de uma compra em seu nome. Na mesma pesquisa, a Visa apareceu como a marca de pagamento mais confiável para transações feitas por agentes de IA, citada por 61% dos entrevistados nos Estados Unidos.
"Agentes de IA têm o potencial de impulsionar a próxima era do comércio, mas a confiança é a chave para fazer isso funcionar", disse Rubail Birwadker, head global de crescimento da Visa, em tradução livre. "O Visa Agentic Commerce Benchmark é mais uma forma de a Visa ajudar a elevar o padrão do setor."
Por que importa
O benchmark da Visa testa uma etapa que já importa para quem vende on-line: a forma como um agente de inteligência artificial entende um produto antes de decidir comprar. Se o modelo erra o pedido em quase metade das tentativas, e segundo a Visa ainda assim fecha a compra errada em mais da metade dessas falhas, o problema não é só da IA: também é de como a informação do produto está descrita para ela ler.
É o mesmo território da otimização para IA generativa, ou GEO: ficha técnica completa, preço, disponibilidade e especificação claros, em conteúdo estruturado, ajudam tanto um comprador humano quanto um agente de IA a confirmar se aquele produto atende ao pedido, antes de qualquer decisão de compra. Negócio com catálogo descrito de forma incompleta corre o risco de ser mal interpretado por um agente que, pelo próprio teste da Visa, erra o pedido com frequência e às vezes compra errado mesmo assim.