Marketing digital

YouTube divulga estudo com 20 mil criadores sobre a economia criativa da União Europeia

Relatório do YouTube com 20 mil criadores da União Europeia mede o peso econômico do setor e defende que o algoritmo, não o governo, decida o que aparece.

Ilustração com moedas de euro e estrelas em três dimensões sobre fundo preto, usada pelo YouTube para anunciar o relatório Creative Capital
Arte oficial usada pelo YouTube para anunciar o relatório sobre a economia criativa na União Europeia. Imagem: divulgação/YouTube

O YouTube publicou, na segunda-feira (12/10), o relatório Creative Capital, com respostas de mais de 20 mil criadores dos 27 países da União Europeia. O documento mostra que o ecossistema de criadores da plataforma contribuiu com mais de €8,4 bilhões para o PIB da União Europeia em 2025 e defende que a descoberta de conteúdo continue decidida por algoritmo, não por regra de governo.

O que você precisa saber

  • O YouTube divulgou, na segunda-feira (12/10), o relatório Creative Capital, com respostas de mais de 20 mil criadores dos 27 países da União Europeia, colhidas pelo instituto Public First entre 1º de junho e 8 de julho de 2026.
  • Segundo pesquisa da Oxford Economics encomendada pelo YouTube, o ecossistema de criadores da plataforma contribuiu com mais de €8,4 bilhões para o PIB da União Europeia em 2025 e sustentou mais de 220 mil empregos equivalentes a tempo integral.
  • O relatório lista cinco frentes de recomendação: reconhecimento oficial, representação no setor, formação e capacitação, apoio à criação de conteúdo e descoberta aberta de conteúdo.
  • O YouTube usa o relatório para se posicionar contra propostas de regra de destaque obrigatório em discussão na revisão da Diretiva de Serviços de Mídia Audiovisual da União Europeia.
  • A pesquisa cobriu só os 27 países da União Europeia e não menciona o Brasil.

O que o relatório mostra

O instituto Public First ouviu os criadores entre 1º de junho e 8 de julho de 2026, com uma pesquisa on-line e vinte entrevistas em profundidade, encomendada pelo YouTube. A amostra reuniu mais de 20 mil criadores dos 27 países da União Europeia, de canais com menos de 10 mil inscritos a alguns dos mais assistidos da plataforma.

€8,4 bilhões: foi o que o ecossistema de criadores do YouTube contribuiu ao PIB da União Europeia em 2025, segundo a Oxford Economics, contratada pelo próprio YouTube para medir o impacto.

A pesquisa da Public First também mostra que 66% dos criadores que faturam com o canal reinvestem essa receita na melhoria do próprio conteúdo. Mas a maioria disse enfrentar barreiras para crescer:

  • 64% disseram que mais reconhecimento do governo e das políticas públicas ajudaria os criadores a se sentir mais integrados ao setor criativo da União Europeia.
  • 63% afirmaram que recebem pouco ou nenhum apoio com representação diante do governo.
  • 60% apontaram pouco ou nenhum apoio em formação e capacitação, para criadores ou para as equipes deles.
  • 65% relataram pouco ou nenhum apoio para acessar fundos ou subsídios de agências governamentais.
Ficha rápida
Quem divulgouYouTube (Google), com pesquisa do instituto Public First
QuandoSegunda-feira (12 de outubro de 2026)
Quem respondeuMais de 20 mil criadores dos 27 países da União Europeia
Contribuição ao PIB da UE em 2025Mais de €8,4 bilhões (Oxford Economics)
Empregos sustentadosMais de 220 mil equivalentes a tempo integral
BrasilNão informado (pesquisa cobriu só os 27 países da União Europeia)

As cinco recomendações

O relatório organiza as recomendações em cinco frentes, cada uma com uma lista de ações sugeridas aos governos europeus. A lista abaixo traz a primeira ação de cada frente.

  • Reconhecimento oficial: criar uma subclassificação própria para criadores digitais no sistema estatístico Eurostat (NACE), para a categoria aparecer nas estatísticas oficiais de emprego e economia da União Europeia.
  • Representação no setor: abrir uma linha dedicada a criadores dentro do programa Creative Europe, com apoio a projetos entre criadores de países diferentes.
  • Formação e capacitação: criar um piloto de intercâmbio entre criadores financiado pelo Erasmus+, com mentoria e produção entre países da União Europeia.
  • Apoio à criação de conteúdo: abrir ao setor as garantias do InvestEU, do Fundo Europeu de Investimento, para produtos financeiros adaptados à renda irregular de quem vive de conteúdo.
  • Descoberta aberta: para esta frente, o relatório não lista uma ação específica. Em vez disso, defende que a recomendação de conteúdo continue decidida por algoritmo e audiência, sem regra de governo que obrigue destaque a veículos escolhidos.

Como a conta cresceu desde 2020

A comparação com dados antigos não é inédita: em dezembro de 2021, o YouTube já havia divulgado, também com a Oxford Economics, o impacto do ecossistema de criadores da plataforma na União Europeia em 2020, ano marcado pelos lockdowns da pandemia. A tabela abaixo reúne as duas medições.

Nem o relatório de 2026 nem o de 2021 detalham quanto da diferença vem de mais criadores na plataforma, de mais receita por canal ou de mudança na metodologia da Oxford Economics entre as duas medições.

Indicador20202025
Contribuição ao PIB da União Europeia (27 países)€2,38 bilhões€8,4 bilhões
Empregos equivalentes a tempo integral sustentados142 mil220 mil
Como a economia criativa do YouTube cresceu na União Europeia desde 2020 Fonte: YouTube e Oxford Economics (relatórios de 2021 e 2026)

YouTube defende algoritmo sem regra de destaque

O relatório também é uma peça de posicionamento político. A União Europeia discute mudanças na Diretiva de Serviços de Mídia Audiovisual que poderiam obrigar plataformas como o YouTube a dar destaque automático a determinados veículos, entre eles emissoras públicas. O YouTube se opõe: defende que a descoberta de conteúdo, como no algoritmo de busca e recomendação da própria plataforma, continue decidida pelo comportamento da audiência, não por regra de governo.

O YouTube escreveu, em tradução livre, no relatório:

No YouTube, quem assiste decide o que quer ver. Todo canal tem uma chance justa: um vídeo fica popular porque conecta com a audiência, não porque alguém recebeu tratamento especial.

Os números da própria pesquisa sustentam o argumento: 83% dos criadores disseram que os algoritmos de recomendação e descoberta do YouTube são importantes para o crescimento do canal e para a receita. Entre os que têm mais de 100 mil inscritos ou seguidores, 71% afirmaram que uma queda de visibilidade causada por mudança nesses sistemas afetaria a renda e a capacidade de crescer.

Por que importa

O relatório do YouTube mistura duas coisas: um estudo real, com metodologia e amostra grandes, e uma peça de lobby contra uma regra que a própria plataforma não quer ver aprovada. As duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, e é por isso que os números merecem leitura cuidadosa: quem financiou a pesquisa tem interesse direto no resultado da discussão regulatória que ela ajuda a municiar.

Para quem depende de descoberta por algoritmo, seja em vídeo, em busca ou em resposta de inteligência artificial, o episódio mostra um ponto que vale além da União Europeia: a visibilidade de uma marca ou de um criador nunca depende só do próprio conteúdo. Depende também de regras que a plataforma pode mudar sozinha, e que a discussão europeia mostra que também podem mudar por decisão de governo. O debate sobre regra de destaque é, no fundo, uma disputa sobre quem escreve as regras do algoritmo que decide quem é visto.

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