Métricas e decisão
Métricas do marketing digital
Métricas do marketing digital são as medidas que acompanham exposição, clique, contato, cliente e retorno. Cada uma tem uma fórmula simples, uma fonte de origem própria e um limite: o número só significa alguma coisa quando o período e a definição do que foi contado estão declarados.
Relatório de marketing digital costuma chegar cheio de sigla e vazio de endereço. ROAS de 4, CTR de 3,2%, CAC de 180 reais: os números aparecem prontos, sem dizer de qual sistema saíram, que período cobrem e o que exatamente foi contado como cliente.
O lugar das métricas dentro dos canais está no guia sobre o que é marketing digital, e o significado de cada abreviação está no glossário das siglas do marketing digital. Aqui o recorte é outro e mais concreto: oito métricas, uma a uma, com a fórmula, a tela em que o número é conferido de verdade e o limite de cada conta.
Por que as métricas confundem
A mesma sigla muda de sentido conforme quem escreve o relatório, e quase nenhum relatório diz qual sentido está usando. Conversão pode ser formulário enviado ou contrato assinado. Cliente novo pode ser quem pediu orçamento ou quem pagou. Mês pode ser o do gasto ou o da venda. A conta continua correta em todas essas versões, e nenhuma delas é comparável com a outra.
A confusão vira decisão errada quando números de origens diferentes entram na mesma linha da planilha como se medissem a mesma coisa. O gestor pergunta quantos clientes o mês trouxe, recebe três respostas e escolhe a que parece mais confortável. A decisão seguinte nasce desse desencontro: corta-se a campanha que parecia cara num painel e era barata no outro.
Número sem endereço não é métrica
Um valor solto na apresentação não pode ser conferido nem contestado. Toda métrica tem uma tela em que ela é lida, e é esse endereço que transforma o slide em evidência.
Ninguém precisa virar analista para sair desse lugar. Basta exigir de cada número quatro informações: como ele é calculado, de onde ele veio, que período ele cobre e o que foi contado como conversão. Um relatório que responde essas quatro perguntas pode ser discutido. Um que não responde só pode ser acreditado.
O que é métrica de marketing
- Métrica de marketing
- Métrica de marketing é uma contagem ou uma divisão entre duas contagens, feita sobre um período definido e registrada por um sistema específico. Ela não é uma opinião sobre o desempenho: é um número reproduzível, que outra pessoa consegue refazer se tiver acesso à mesma fonte.
Os quatro campos da métrica
Toda métrica cabe numa ficha de quatro campos, e é essa ficha que separa medição de impressão pessoal. O primeiro campo é a fórmula. O segundo é a fonte, o sistema onde o número nasce. O terceiro é a janela, o período que ele cobre. O quarto é a definição, que responde o que exatamente está sendo contado como impressão, clique, lead ou cliente.
Definição do que é contado
Os dois primeiros campos raramente causam briga, porque a fórmula é pública e a fonte é verificável. Os dois últimos causam quase todas. Duas empresas com o mesmo CAC podem estar medindo coisas incompatíveis se uma conta o mês do gasto e a outra o mês da assinatura do contrato, ou se uma chama de cliente quem pediu orçamento e a outra só quem pagou.
Em uma frase: a fórmula é a parte fácil da métrica, e a definição do que está sendo contado é a parte que decide se o número serve para alguma coisa.
Métrica e KPI
KPI é a métrica que a empresa escolheu como meta, e a escolha é do negócio, não da ferramenta. Todo KPI é uma métrica; quase nenhuma métrica precisa virar KPI. A mesma taxa de cliques pode ser um indicador central numa operação de mídia e um detalhe irrelevante numa empresa que vive de indicação.
A escolha tem consequência prática porque muda o que a equipe persegue. Quando o KPI é o volume de leads, a equipe otimiza para volume, e o time comercial recebe mais contato ruim. Quando o KPI é o custo por cliente pagante, a mesma campanha é ajustada em outra direção, com menos lead e mais conversa qualificada.
Dez KPIs é o mesmo que nenhum
Painel com dez indicadores em destaque não estabelece prioridade: ele empurra a decisão para quem monta o slide. Duas ou três metas por trimestre já obrigam a escolher, que é justamente o trabalho que o indicador existe para forçar.
Onde cada número nasce
Cada métrica nasce num sistema só, e é nesse sistema que ela deve ser conferida. Quando o mesmo indicador aparece em dois lugares, um deles está copiando o outro, com atraso, recorte ou regra de atribuição diferente. Saber qual é a origem evita discutir com a cópia.
Os quatro andares da medição
O andar de baixo é o único que a empresa controla inteiro, e é o que a maioria dos painéis não abre. Nenhuma plataforma de mídia sabe quanto custa a sua equipe, quanto de imposto incide sobre a venda ou quantos contratos foram cancelados no mês seguinte. Quando alguém pergunta quanto custou cada cliente, a resposta honesta começa perguntando quais custos entram na conta.
O que cada métrica não enxerga
| Métrica | Nasce em | O que ela não enxerga |
|---|---|---|
| CTR | Search Console ou gerenciador de anúncios | Se o clique tinha intenção de compra |
| CPM | Gerenciador de anúncios | Se alguém olhou para o anúncio |
| CPC | Gerenciador de anúncios | O que aconteceu depois do clique |
| CPA e CPL | Gerenciador de anúncios e sistema de vendas | A qualidade do contato gerado |
| ROAS | Gerenciador de anúncios | Custo de produto, equipe, imposto e operação |
| CAC | Caixa da empresa e sistema de vendas | Quanto o cliente vai render depois |
| LTV | Histórico de faturamento por cliente | Quanto custou conquistar aquele cliente |
CTR: a taxa de clique
- CTR
- CTR é a divisão entre cliques e impressões, multiplicada por cem para virar porcentagem. Cinco cliques em cem exibições dão um CTR de 5%, e a taxa existe tanto na busca orgânica quanto na mídia paga.
É a métrica mais fácil de calcular do marketing digital e uma das mais fáceis de ler errado, porque a mesma sigla nomeia dois números que nascem em telas diferentes e não são comparáveis entre si.
CTR de busca orgânica
O CTR orgânico compara cliques e impressões nos resultados não pagos, e o endereço dele é o relatório de desempenho do Search Console. A documentação do Search Console define a taxa de cliques como cliques divididos por impressões e explica o que conta como impressão: em geral o link aparecer na página de resultados atual já basta, mesmo sem a pessoa rolar até ele.
Duas particularidades mudam a leitura. A posição média não é a média de todas as aparições: para cada consulta vale a posição mais alta ocupada pelo site, e a média sai dessas posições. E os cliques e as impressões são atribuídos à URL canônica escolhida pelo Google, não necessariamente àquela que a pessoa acessou.
Um CTR orgânico baixo com posição alta costuma ser problema de título e descrição, não de ranqueamento. Um CTR que cai sem a posição mudar costuma ser concorrência nova no mesmo resultado, incluindo blocos de resposta gerada por IA. Esse recorte tem guia próprio em medir tráfego de IA no Search Console.
CTR de anúncio
O CTR de anúncio usa a mesma fórmula sobre o inventário pago, e nasce na conta de mídia. A Ajuda do Google Ads calcula cliques divididos por exibições e afirma, com todas as letras, que um bom CTR é relativo ao que está sendo anunciado e à rede em que o anúncio aparece. Não existe número de referência universal, e comparar rede de pesquisa com rede de display produz conclusão falsa.
Compare com você mesmo
A comparação que informa é com o histórico da mesma campanha ou da mesma página, no mesmo tipo de consulta e no mesmo dispositivo. Média de mercado publicada em blog serve para conversa, não para decisão.
CPM: o custo da exposição
CPM é o custo por mil impressões, e antes de ser um indicador ele é uma forma de cobrança. Na definição do Google Ads, é o modelo em que o anunciante paga por mil exibições na rede de display, e existe a variação de CPM visível, em que a cobrança só acontece quando o anúncio pode ser visto na tela.
Essa distinção entre exibido e visível resume o limite da métrica. Impressão não é atenção, e mil impressões baratas num inventário ruim custam menos justamente porque valem menos. CPM que cai de um mês para o outro pode significar melhora de segmentação ou simplesmente que o anúncio passou a aparecer em posições piores.
O CPM é útil como termômetro de preço de mídia e como base de comparação entre formatos. Ele nunca responde sozinho se a campanha deu certo, porque não sabe o que aconteceu depois da exibição.
CPC: o custo do clique
CPC médio é o custo total dos cliques dividido pelo número de cliques. A Ajuda do Google Ads usa um exemplo simples: dois cliques, um de vinte centavos e outro de quarenta, somam sessenta e resultam em CPC médio de trinta centavos. O valor médio é diferente do lance máximo, que é só o teto que o anunciante aceita pagar.
O CPC responde quanto custa a visita comprada, e é a métrica que mais engana quando lida sozinha. Um clique barato em público errado é mais caro que um clique caro em público certo, porque o primeiro não vira nada. A pergunta seguinte sempre é qual parcela desses cliques chegou a virar contato.
Na busca orgânica não existe CPC, porque não existe leilão nem cobrança por clique. Existe custo, que é o investimento no trabalho, e ele se compara ao pago pela conta de custo por aquisição, nunca pela de custo por clique.
CPA e CPL: o custo do contato
CPA é o gasto dividido pelo número de ações contadas como conversão, e CPL é o mesmo cálculo quando a ação contada é um lead. Nas estratégias de CPA desejado, o Google Ads trata o número como custo médio por conversão e exige que o acompanhamento de conversões esteja configurado antes de tudo.
O que conta como conversão
Esse pré-requisito carrega o defeito mais silencioso da métrica. A conversão não é um fato do mundo: é uma declaração feita por alguém dentro da ferramenta. Quem configura decide se conversão é envio de formulário, clique no botão do WhatsApp, ligação de mais de trinta segundos ou contrato assinado, e o CPA muda de tamanho conforme essa escolha, sem nada mudar na campanha.
O CPA que caiu pela metade
Quando um relatório mostra CPA despencando sem mudança de mídia, a primeira checagem é a lista de ações de conversão. Acrescentar um evento fácil, como clique no telefone, dobra o número de conversões e corta o CPA ao meio sem gerar um cliente a mais.
CPL e lead válido
CPL é mais honesto por ser mais estreito, já que ele para no contato e não promete venda. Ainda assim precisa da mesma declaração: o que a empresa aceita contar como lead válido. Lista de contatos com telefone inventado e formulário preenchido por engano entram no numerador e deixam a conta bonita. Sem essa definição escrita, o CPL cai junto com a qualidade do contato e ninguém percebe.
ROAS: o retorno da mídia
- ROAS
- ROAS é o valor das conversões atribuídas aos anúncios dividido pelo que foi gasto em mídia no mesmo período. Um ROAS de 4 significa quatro reais de valor registrado para cada real investido em anúncio, antes de qualquer outro custo do negócio.
Valor de conversão
O endereço do ROAS no Google Ads é a coluna de valor de conversão dividido por custo, e ela só existe depois que alguém configura quanto vale cada conversão. A documentação sobre valores de conversão descreve dois caminhos: enviar o valor real de cada transação pelo código de acompanhamento ou atribuir o mesmo valor fixo para todas.
É aí que mora o problema de quem vende serviço. Uma loja virtual envia o valor real do pedido, e o ROAS fica ancorado em dinheiro que existiu. Um negócio de orçamento normalmente atribui um valor fixo a cada lead, estimado a partir do ticket médio e da taxa de fechamento. Quando essa estimativa está otimista, o ROAS inteiro é o chute multiplicado pelo número de conversões.
ROAS positivo com prejuízo
O segundo limite é de escopo: ROAS olha só a conta do anúncio. Produto, frete, imposto, comissão, ferramenta e equipe ficam de fora, e é por isso que ROAS positivo convive com prejuízo. A conta que inclui o resto é outra, e está no guia sobre o que é ROI no marketing digital.
CAC: o custo de aquisição
- CAC
- CAC é a soma de tudo o que foi gasto para conquistar clientes num período dividida pelo número de clientes novos do mesmo período. Entram mídia, ferramentas, produção e a parcela de salário da equipe de marketing e de vendas, não só o que aparece na fatura da plataforma.
CAC e modelo de negócio
O material do Sebrae sobre CAC resume a leitura em uma frase direta: quando esse custo fica maior que o lucro que o cliente traz ao longo do tempo, o negócio perde eficiência e corre risco de não se sustentar. O CAC não é um indicador de campanha, é um indicador de modelo de negócio. Por isso ele se compara ao LTV, e não ao resultado de uma campanha isolada.
Onde o CAC é calculado
O CAC não nasce no gerenciador de anúncios. Nasce no caixa e no sistema de vendas, e quase sempre é calculado à mão, numa planilha, uma vez por mês. Plataforma nenhuma conhece o custo do seu time nem sabe quem assinou contrato depois de três conversas por telefone.
O descasamento de período
O gasto de janeiro costuma fechar cliente em março, e dividir custo de um mês por clientes do mesmo mês castiga quem tem ciclo de venda longo. Uma saída simples é comparar trimestres em vez de meses, declarando isso no relatório.
LTV: o valor do cliente
LTV é o valor que um cliente gera ao longo de todo o relacionamento com a empresa, e não no mês em que ele comprou. Numa assinatura de 200 reais que dura em média dez meses, o LTV bruto é de 2.000 reais. Numa loja, é o ticket médio multiplicado pela frequência de recompra ao longo do período observado.
LTV no Google Analytics
A ferramenta de análise consegue estimar parte do LTV. O relatório de ciclo de vida do usuário do Google Analytics mostra LTV por origem de aquisição, e traz um aviso que vale mais que o número: como a maioria dos usuários não compra, as métricas de percentil de receita costumam ser zero, e só aplicar um segmento de compradores revela como o valor se distribui de verdade.
Receita contra margem
O limite principal é confundir receita com margem. Um cliente que gera 2.000 reais de faturamento com 30% de margem devolve 600 reais ao negócio, e é esse número que se compara ao custo de aquisição. O segundo limite é o tempo: LTV de cliente que entrou no mês passado é previsão, e previsão de comportamento futuro erra mais quanto mais novo for o cliente.
A régua de LTV sobre CAC
A relação entre LTV e CAC diz se o negócio compra cliente por um preço que se paga. Dividido um pelo outro, o resultado indica quantas vezes o cliente devolve o que custou trazê-lo. A comparação só vale com os dois números na mesma moeda: margem contra custo, período contra período.
| Situação | O que costuma significar |
|---|---|
| LTV menor que o CAC | Cada cliente novo consome mais caixa do que devolve |
| LTV próximo do CAC | A operação se sustenta sem sobrar para crescer |
| LTV bem acima do CAC | Há folga para investir mais em aquisição |
| LTV alto com caixa curto | O retorno existe mas demora a entrar |
A última linha é a que derruba empresa saudável no papel. Se o cliente devolve o custo de aquisição em catorze meses e o fornecedor é pago à vista, a conta fecha no ano e não fecha no mês. Por isso o prazo de recuperação anda junto com a relação, e não depois dela.
Por que dois painéis divergem
Divergência entre plataforma de mídia e ferramenta de análise é esperada, e o próprio Google documenta as causas. A página sobre discrepância entre cliques e sessões lista mais de dez motivos, dos quais três explicam a maior parte dos casos.
A raiz é sempre a mesma: cada um dos quatro sistemas conta uma unidade própria. O gerenciador de anúncios conta cliques, a ferramenta de análise conta sessões, o sistema de vendas conta contatos e o caixa conta dinheiro que entrou. Nenhum deles combinou período nem definição com o vizinho, então esperar o mesmo número nas quatro telas é esperar o impossível.
Cliques e sessões
Clique e sessão não são a mesma unidade. A plataforma registra clique quando alguém interage com o anúncio; a ferramenta de análise registra sessão quando um conjunto de interações acontece no site dentro de uma janela de tempo. A mesma documentação do Google dá o exemplo: duas entradas em trinta minutos sem fechar o navegador podem virar dois cliques e uma sessão só.
Há também o caminho inverso, e ele surpreende quem olha o relatório pela primeira vez. Quando as sessões superam os cliques, costuma ser sinal de retorno espontâneo ao site, com a origem mantida na última campanha conhecida. Nada quebrou; a régua é que mudou de mão.
Cliques inválidos
O Google Ads remove cliques inválidos dos relatórios, enquanto a ferramenta de análise mostra todas as sessões antes de qualquer filtragem. Cliques repetidos da mesma pessoa e tráfego fora do padrão normal são descartados, e o anunciante não é cobrado por eles, o que cria diferença legítima entre as duas telas.
A terceira causa é técnica e vale conferir uma vez: se a codificação automática de URLs estiver desligada e ninguém tiver marcado os endereços à mão, o tráfego pago pode aparecer como orgânico, direto ou sem origem definida na análise. É o tipo de defeito que faz a busca orgânica parecer melhor do que é e a mídia paga parecer pior.
A janela de conversão
- Janela de conversão
- Janela de conversão é o período depois da interação com o anúncio em que uma conversão ainda é creditada àquela interação. Fora da janela, a venda acontece do mesmo jeito e simplesmente não aparece no relatório da campanha.
Janelas padrão do Google Ads
Os padrões estão na documentação de janelas de conversão do Google Ads: 30 dias para conversões de clique, 3 dias para visualização engajada e 1 dia para visualização. Todos podem ser alterados, e a recomendação da própria ferramenta é não descer abaixo de sete dias, porque janela curta demais devolve um conjunto pequeno de dados.
Duas consequências práticas raramente são ditas. A primeira: mudar a janela não é retroativo, então encurtar hoje e alargar semana que vem não recupera as conversões que ficaram de fora no meio do caminho. A segunda: o número do mês fechado ainda pode subir depois, porque conversão de clique antigo continua entrando.
Atribuição no Google Analytics
Do lado da análise de site, a regra é outra e vale conhecer. Os modelos de atribuição do Google Analytics distribuem o crédito entre os pontos de contato do caminho, podem reatribuir conversões por até sete dias depois de elas acontecerem e, salvo quando o caminho inteiro é de acesso direto, não dão crédito a visitas diretas. Comparar esse número com o da plataforma de mídia é comparar dois critérios.
A média e os percentis
A média junta numa conta só quem comprou e quem passou pela página sem olhar. Em marketing digital quase toda distribuição é torta: poucos clientes respondem por muito faturamento, poucas páginas respondem por quase todo o tráfego, poucas consultas respondem pela maioria dos cliques. Nesse formato, a média descreve mal a maioria e ainda esconde a ponta que interessa.
O aviso de percentil zero
O aviso de percentil zero no relatório de ciclo de vida é o exemplo mais limpo disso, e vale para qualquer planilha de LTV feita em casa. Se 90% dos visitantes não compram, olhar o valor médio por usuário devolve um número perto de zero que não descreve nenhum cliente real.
Em uma frase: antes de discutir a média, pergunte quantos casos ela está somando e quão diferentes eles são entre si.
Segmentar antes da média
Segmentar é separar grupos antes de tirar média, e a saída não exige estatística avançada: quem comprou e quem não comprou, cliente novo e cliente recorrente, consulta de marca e consulta genérica. Três médias que descrevem grupos parecidos valem mais que uma média que não descreve ninguém. Na planilha, isso é só um filtro aplicado antes da fórmula, sem ferramenta nova.
Checklist de métricas
Quatro conferências cabem numa tarde e não exigem ferramenta paga nem acesso de administrador a nada que você já não tenha. Elas não substituem análise, e servem para algo mais simples: descobrir se os números que você recebe têm endereço.
As quatro conferências
- Leia o CTR orgânico na fonteAbra o relatório de desempenho do Search Console, selecione os últimos 28 dias e olhe cliques, impressões e CTR das dez páginas principais. Como saber que deu certo: você consegue apontar uma página com muitas impressões e poucos cliques, que é candidata a título e descrição novos.
- Confira a lista de conversõesNo gerenciador de anúncios, abra as ações de conversão e leia uma por uma. Como saber que deu certo: você sabe dizer exatamente quais eventos entram no CPA e se algum deles é fácil demais para contar como resultado.
- Anote a janela de conversãoNa mesma tela, veja qual janela cada ação usa e compare com o tempo médio que a sua empresa leva entre o primeiro contato e o fechamento. Como saber que deu certo: se o ciclo de venda é maior que a janela, você já sabe por que a campanha parece pior do que é.
- Calcule o CAC à mãoNuma planilha, some mídia, ferramentas e a parcela de salário dedicada a marketing e vendas no trimestre, e divida pelo número de clientes novos do mesmo trimestre. Como saber que deu certo: o número existe, está escrito e a lista de custos que entrou nele também.
Ficha da métrica
A ficha da métrica vem depois das quatro conferências: escreva uma para cada métrica que aparece no seu relatório. É um documento de meia página que resolve mais discussão do que qualquer painel novo.
- Fórmula. O que é dividido por quê.
- Fonte. Em qual sistema o número é lido, e por quem.
- Janela. Que período ele cobre e quando ele pode mudar depois de fechado.
- Definição. O que conta como impressão, clique, lead e cliente.
- Dono. Quem responde quando o número muda sem explicação.
O limite desta parte é claro. Ler métrica é diferente de mudar métrica: as quatro conferências mostram onde o painel mente, e não fazem a campanha custar menos nem a página subir no resultado de busca.
Quando contratar uma agência
O trabalho de medição cresce quando os canais se multiplicam. Com uma campanha e um formulário, a planilha resolve. Com três canais, um catálogo de trezentas páginas, um sistema de vendas e um ciclo de compra de dois meses, conciliar números vira rotina semanal, e é ela que sustenta qualquer decisão de investimento.
Concorrente com autoridade
O segundo gatilho é a disputa. Quando o concorrente tem dez anos de conteúdo publicado e autoridade acumulada, cada ponto de CTR orgânico e cada posição ganha custam trabalho contínuo de meses, não um ajuste pontual. É o terreno de uma agência de marketing digital que trabalhe o canal todo dia, e não de um ajuste feito uma vez por trimestre.
Como a Voh! trabalha
É esse o trabalho que a Voh! faz. A Voh! é uma agência especializada em SEO e GEO, e a busca orgânica é o foco central da casa, aplicada a qualquer site que precise ser encontrado, do institucional à loja virtual, incluindo a criação do site quando ele ainda não existe. Quando o projeto pede, ela também faz gestão de tráfego no Meta Ads e no TikTok Ads e gestão de redes sociais, com proposta própria para cada frente, mas a ordem não muda: o orgânico vem primeiro, porque é o ativo que fica. Na busca orgânica são três formas de começar, uma auditoria gratuita, um pacote de implementação com seis meses de acompanhamento e o SEO Mensal, que não exige fidelidade. O diagnóstico vem sempre antes da proposta, porque orçar sem olhar o site é chute. E não existe garantia de posição: o algoritmo é do Google, e quem promete o contrário está prometendo uma decisão que não é dele. Para a história e o método, leia sobre a Voh!.
Leve a ficha para a reunião
Na hora de avaliar uma proposta, peça a fonte e a janela de cada número prometido no relatório mensal. Fornecedor que trabalha sério responde na hora. Fale com a Voh! se o que estiver em jogo for a busca orgânica: o diagnóstico é gratuito e devolve por escrito o que foi encontrado no site.
Os limites das métricas
Nenhuma métrica mede o que fez a pessoa decidir. Elas registram onde houve exibição, clique e formulário enviado, e param aí. A conversa que aconteceu no WhatsApp, a indicação de um vizinho e a lembrança de um anúncio visto três semanas antes não aparecem em coluna nenhuma.
Acesso direto invisível
O acesso direto é o exemplo mais comum dessa cegueira. Boa parte do que chega ao site sem origem identificada veio de aplicativo de mensagem, de e-mail aberto no celular ou de alguém que digitou o nome da empresa depois de ouvir falar dela. Como os modelos de atribuição praticamente não dão crédito a visita direta, esse esforço fica invisível e a métrica sozinha sugere cortar justamente o que gerou a lembrança.
Consentimento e bloqueio
Também existe o limite do consentimento e do bloqueio: parte dos visitantes recusa cookies, usa navegador com proteção contra rastreamento ou sai antes de a medição carregar. O relatório continua útil, desde que seja lido como amostra grande, não como censo.
Métrica não decide
Indicador mostra o que aconteceu e, no máximo, sugere onde olhar. A decisão continua exigindo contexto de negócio: margem, capacidade de atendimento, sazonalidade e o que a empresa aguenta esperar.
Volume baixo e ruído
E há o limite mais duro de todos, que aparece em negócio pequeno o tempo todo: volume baixo não produz número estável. Com doze conversões no mês, uma variação de três já muda qualquer indicador em dezenas de por cento, e perseguir essa oscilação é ruído. Nesse cenário, o que orienta é a direção ao longo do trimestre, e não a leitura semanal do painel.
Resumo em 10 pontos
- Métrica é contagem ou divisão entre contagens, sobre um período definido e um sistema específico.
- Toda métrica tem ficha de quatro campos: fórmula, fonte, janela e definição do que é contado.
- KPI é a métrica eleita como meta, e duas ou três por trimestre bastam.
- CTR é cliques sobre impressões, e a sigla nomeia dois números de origens diferentes.
- CPM compra exposição, CPC compra visita, CPA e CPL compram ação declarada por você.
- ROAS divide valor de conversão por gasto de mídia e ignora o resto do custo do negócio.
- CAC nasce no caixa, não na plataforma, e só faz sentido ao lado do LTV em margem.
- Divergência entre plataforma e análise é esperada, e tem causas documentadas.
- Janela de conversão curta esconde venda real de ciclo longo, e mudá-la não é retroativo.
- Média de distribuição torta descreve mal a maioria, então separe grupos antes de calcular.
O passo seguinte é barato e cabe hoje: peça a ficha de uma única métrica do seu relatório e veja se ela volta completa. Se a conclusão for que ninguém sabe dizer quanto a busca orgânica rende no seu site, a auditoria é gratuita e vem por escrito. Fale com a Voh!.
