A Meta lançou nesta quarta-feira (4) a versão 27.0 da Graph API e da Marketing API, usadas por agências e ferramentas de terceiros para anunciar no Facebook e no Instagram: novos conjuntos de anúncios de vendas que miram aparelhos específicos passam a ter, por padrão, o alcance ampliado para outros aparelhos e sistemas operacionais, e a criação de públicos semelhantes deixa de aceitar recorte por país.
O que você precisa saber
- A Meta lançou nesta quarta-feira (4) a versão 27.0 da Graph API e da Marketing API, usadas por agências e ferramentas de terceiros para anunciar no Facebook e no Instagram.
- Novos conjuntos de anúncios de vendas que miram aparelhos ou sistemas operacionais específicos passam a ter, por padrão, o alcance ampliado para outros aparelhos, a menos que o campo device seja definido como 0.
- A Meta também pode ligar sozinha a vitrine de produtos (Product showcase) em anúncios sem essa configuração, quando há alta confiança de que um conjunto do catálogo combina com o anúncio; dá para desativar.
- A criação de públicos semelhantes (lookalike) deixa de aceitar país ou localização no pedido: o público semelhante passa a usar a localização do conjunto de anúncios que o utiliza.
- O endpoint de lote do catálogo (/batch) para de funcionar na v27.0, e quem ainda o usa precisa migrar para /items_batch.
O que mudou na API de anúncios
A partir da v27.0, um conjunto de anúncios de vendas, a estrutura de campanha explicada no guia sobre como fazer tráfego pago, que mira aparelhos móveis ou sistemas operacionais específicos passa a ter ligada, por padrão, a opção "Alcance mais pessoas em outros aparelhos móveis". Quando o campo targeting.targeting_automation.individual_setting.device não é informado, a Meta passa a poder entregar o anúncio também a pessoas em outros aparelhos e sistemas operacionais, quando isso tiver chance de melhorar o desempenho. Para manter a entrega restrita aos aparelhos definidos na segmentação, é preciso informar o valor 0 nesse campo.
A mudança vale só para conjuntos de anúncios novos e elegíveis: os já existentes não mudam. A Meta também diz que o recurso não está disponível para a localização de conversão de aplicativo móvel nem para as categorias especiais de anúncio.
A segunda mudança por padrão afeta a criação do anúncio em si: a Meta pode ligar sozinha a Vitrine de produtos (Product showcase, o campo product_extensions da API) em anúncios cujo criativo não traz nenhuma configuração desse recurso. Segundo a Meta, isso só acontece "quando ela tem alta confiança de que um conjunto de produtos específico" do catálogo do anunciante combina com o anúncio. Quem quiser manter o comportamento anterior desativa o recurso definindo degrees_of_freedom_spec.creative_features_spec.product_extensions.enroll_status como OPT_OUT.
A maior parte de quem anuncia na Meta mexe direto no Gerenciador de Anúncios; quem opera por ferramenta de terceiros ou de agência, segundo observou o Social Media Today, costuma ser o comprador de mídia maior e a agência, que ganham mais acesso e gerenciam contas de plataformas diferentes numa única ferramenta.
| Quem | Meta (Meta for Developers) |
|---|---|
| O que | Graph API v27.0 e Marketing API v27.0 |
| Quando | Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 |
| Para quem | Agências, ferramentas de gestão de anúncios e integrações de catálogo que usam a API da Meta |
| Prazo da expansão total | Cerca de 90 dias após o lançamento (a Meta cita fevereiro de 2027, data a confirmar) |
| Brasil | Não informado |
Público semelhante e catálogo de produtos
A partir da Marketing API v27.0, o endpoint POST /act_{ad-account-id}/customaudiences recusa qualquer pedido de público semelhante (lookalike, construído a partir de um público de origem que o anunciante já tem) que traga país ou localização no campo lookalike_spec. A Meta escreveu, em tradução livre: "Esses campos não têm efeito algum, já que os públicos semelhantes entregam para as localizações selecionadas nos públicos dos conjuntos de anúncios." A empresa diz que não é preciso nenhum campo substituto.
A mudança atinge só a criação de públicos novos: os públicos semelhantes já existentes, e os anúncios que os usam, continuam rodando sem alteração.
A API de Catálogo também perde uma via: o endpoint /{catalog-id}/batch é descontinuado na v27.0, e quem ainda o usa precisa migrar para o /{catalog-id}/items_batch. Segundo a Meta, a mudança "afeta negócios anunciantes e agências que integram com a API de Catálogo", e aplicativos que não atualizarem o código podem apresentar erro.
Como ficam os padrões em relação à versão anterior
Duas das quatro mudanças centrais da v27.0 vêm ligadas por padrão, e quem quiser o comportamento anterior precisa agir para desativá-las: o alcance a outros aparelhos e a vitrine de produtos. As outras duas não têm essa opção: o país no público semelhante passa a ser recusado pela API, e o endpoint de lote do catálogo simplesmente para de funcionar.
O site especializado em publicidade digital PPC Land, que cobriu o lançamento no mesmo dia, observou que a Meta já tinha usado o mesmo mecanismo de ativação automática, com o mesmo campo enroll_status para desativar, na mídia dinâmica dos anúncios de catálogo Advantage+, ligada por padrão em setembro de 2025, e na navegação de produtos dentro do próprio anúncio, ligada em outubro de 2026. O PPC Land também observou que o anúncio da Meta não traz nenhum número de desempenho que sustente a promessa de melhora, nem para o alcance a outros aparelhos nem para a vitrine de produtos.
| Mudança | Antes da v27.0 | A partir da v27.0 |
|---|---|---|
| Alcance a outros aparelhos | Entrega restrita aos aparelhos definidos na segmentação | Ligado por padrão em novos conjuntos de vendas com aparelho específico, salvo quando o campo device é 0 |
| Vitrine de produtos no anúncio | Só aparecia com configuração do anunciante no criativo | Pode ligar sozinha quando há alta confiança de correspondência no catálogo |
| País no público semelhante | Aceito no pedido de criação (lookalike_spec) | Recusado: a localização vem do conjunto de anúncios |
| Endpoint de lote do catálogo | /batch funcionava normalmente | /batch para de funcionar; só /items_batch |
Recursos que saem do ar e um que chega
A métrica de insights de vídeo total_video_consumption_rate para de ser devolvida em qualquer versão da Graph API a partir do início de novembro de 2026, sem substituto direto, porque os dados que a alimentavam, visualizações de 3 segundos e alcance de vídeo, já tinham sido descontinuados na v26.0.
A partir da quarta-feira (4), novos aplicativos também deixam de poder usar seis recursos legados da Graph API, em todas as versões: pedidos por múltiplos IDs, formatação de data e hora, substituição do método HTTP, apelido de campo, retorno JSONP e lote assíncrono. Aplicativos que já usam esses recursos continuam podendo, por enquanto, nas versões em que já rodam; a Meta avisa que o restante deles deixa de valer, para todo mundo, na v28.0, ainda sem data.
Na direção oposta, a v27.0 traz uma opção nova: o parâmetro booleano is_ai_generated passa a valer na edição de uma publicação de Página já existente. Definido como "true", ele adiciona a autodeclaração de conteúdo gerado por IA; como "false", remove; omitido, mantém o que já estava. Para Andrew Hutchinson, do Social Media Today, é "uma mudança estranha" diante das perguntas em aberto sobre transparência em IA, já que o mesmo recurso permite tirar uma autodeclaração que já tinha sido colocada.
Por que importa
O padrão que a Meta repete nesta versão, ligar o recurso novo e deixar a desativação por conta de quem usa a API, pesa mais sobre quem depende de ferramentas de terceiros ou de agência para rodar os anúncios do que sobre quem usa só o Gerenciador de Anúncios: é o código por trás dessas integrações que precisa declarar o campo certo para manter o comportamento anterior. Negócio que terceiriza a gestão do Meta Ads ganha um motivo concreto para perguntar à agência ou ao fornecedor da ferramenta se a conta já foi revisada depois da v27.0.
A Meta também não publicou nenhum número que mostre, de fato, que o alcance maior ou a vitrine automática melhoram resultado. Antes de aceitar um padrão novo porque veio ligado, vale medir a conta por um período com e sem o recurso, e comparar.