Marketing digital

O Que É UGC no Marketing Digital e Como Usar

UGC é o conteúdo que clientes e seguidores criam por conta própria sobre uma marca: avaliação, foto, vídeo, comentário. Ele convence porque não foi encomendado. No Brasil, usar esse conteúdo exige autorização do autor, e o repost feito pela marca vira publicidade dela.

Por que o cliente convence mais

A mesma frase muda de peso quando muda quem assina. Uma padaria que escreve no próprio site que faz o melhor pão de queijo da cidade está fazendo publicidade, e quem lê aplica o desconto que aplica a qualquer anúncio. A mesma frase escrita por alguém que pagou pelo pão de queijo não carrega esse desconto, porque não existe interesse comercial declarado atrás dela.

Esse deslocamento de emissor é a matéria-prima do conteúdo gerado pelo usuário, e é também a origem de todos os problemas práticos que vêm depois. O conteúdo não é seu. Foi outra pessoa que escreveu, fotografou ou filmou, e essa pessoa continua sendo dona do que produziu mesmo depois de marcar o seu perfil.

22%

dos brasileiros que compraram pela internet em 2024 disseram ter comprado por meio de redes sociais

Cetic.br, TIC Domicílios 2024. Universo: usuários de internet que compraram pela rede em 2024. Não é projeção para um negócio específico.

Na mesma pesquisa, 41% disseram ter visto anúncios de produtos ou serviços em posts de redes sociais e 49% os viram em vídeos na internet, segundo o Cetic.br. O feed onde o cliente publica a foto do prato é o mesmo feed onde a concorrência anuncia, e é isso que explica por que o conteúdo espontâneo virou disputa comercial.

A parte que material de marketing pula é a outra: quem pode usar aquilo, com que autorização, e em que momento o conteúdo espontâneo deixa de ser espontâneo. É trabalho de qualquer agência de marketing digital que mexa com redes sociais, e é onde uma empresa pequena costuma escorregar sem perceber.

O que é UGC

UGC
É a sigla de user generated content, conteúdo gerado pelo usuário: avaliações, fotos, vídeos, depoimentos e comentários que clientes e seguidores produzem sobre uma marca por iniciativa própria. O que define o UGC é o emissor, não o formato.

Origem do termo UGC

O termo é mais velho que as redes sociais: nasceu na web de fórum, comentário de blog e resenha de loja, e sobreviveu à troca de canal. Hoje ele cobre desde a nota de uma estrela numa ficha de empresa até o vídeo de trinta segundos que alguém grava abrindo uma encomenda.

A tradução que o mercado usa

Em português circulam três nomes para a mesma coisa: conteúdo gerado pelo usuário, conteúdo gerado pelo consumidor e prova social. Os dois primeiros são tradução direta. Prova social é mais amplo: inclui número de seguidores e selo de associação, que não são UGC.

UGC não é canal nem tática

UGC não é um canal nem uma tática: é uma característica do conteúdo, e ela atravessa canais que já têm nome próprio. Onde ele se encaixa dentro do conjunto maior de canais está no guia sobre o que é marketing digital, que é o mapa de onde este recorte sai. Avaliação no Google, foto no Instagram e comentário no blog são UGC pelo mesmo motivo: quem escreveu foi o cliente, não a marca.

UGC vs UGC creator

UGC creator é uma profissão, e o que ela entrega não é UGC. A pessoa é contratada para gravar um vídeo com cara de conteúdo espontâneo, entrega o arquivo à marca e nem sempre publica no próprio perfil. Existe pagamento, existe briefing e existe aprovação, então aquilo é publicidade produzida por terceiro com estética de conteúdo de usuário.

O que faz um UGC creator

UGC creator
É quem produz, sob contrato, conteúdo com aparência de espontâneo para uma marca publicar nos canais dela. O formato imita o UGC, a relação comercial é a de qualquer produção publicitária.

A confusão não é acidente de vocabulário. Boa parte do que se publica sobre o termo trata da carreira, de quanto se ganha e de como montar portfólio, e pouca coisa trata do conteúdo que o cliente real publica sem combinar nada com ninguém.

Espontâneo ou contratado

CritérioUGC espontâneoConteúdo de UGC creator
Quem decide publicarO clienteA marca
Existe pagamentoNãoSim
Existe briefingNãoSim
Onde aparece primeiroNo perfil de quem criouNo perfil da marca ou no anúncio
Precisa de identificação publicitáriaNãoSim
Quem responde pelo conteúdoQuem publicouA marca anunciante

As duas coisas são legítimas e servem para propósitos diferentes. O erro caro é vender uma como a outra: contratar dez criadores, publicar tudo sem identificação e chamar o resultado de prova espontânea é exatamente o que a autorregulamentação publicitária trata como anúncio não identificado.

Os quatro formatos de UGC

Quatro formatos respondem por quase todo o UGC de uma empresa pequena: avaliação, foto e vídeo, depoimento e comentário. Eles nascem em lugares diferentes, envelhecem de jeitos diferentes e carregam obrigações diferentes na hora de reaproveitar.

Onde cada formato nasce

FormatoOnde nasceO que exige para reusar
AvaliaçãoPerfil da Empresa no Google, marketplace, appRegras da plataforma na hora de pedir
Foto e vídeoRede social do clienteAutorização do autor e de quem aparece
DepoimentoWhatsApp, e-mail, formulárioAutorização escrita e nome verdadeiro
ComentárioPost da marca, blog, fórumModeração e atributo de link correto

A última coluna é a que costuma ser esquecida: o formato muda, e a exigência para reusar muda junto.

Onde o conteúdo mora

A diferença mais prática entre eles é onde o conteúdo mora. Avaliação fica no domínio da plataforma e trabalha para a marca sem ser copiada. Foto, vídeo e depoimento só rendem quando saem do lugar de origem, e é justamente sair do lugar de origem que exige permissão.

Comentário é o único formato que nasce dentro de casa quando o site tem área aberta, e por isso ele é o único que vira problema técnico de SEO em vez de problema de direito. O capítulo sobre UGC dentro do site trata dessa parte.

Os três tipos de UGC no CONAR

A autorregulamentação publicitária brasileira separa o conteúdo de terceiro em três modalidades, e a diferença entre elas é uma só: que tipo de relação existe entre quem publica e a marca. O Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais do CONAR descreve as três e a obrigação de cada uma.

Publicidade com contrapartida

A primeira é a publicidade propriamente dita. Ela existe quando o conteúdo promove marca, produto ou serviço e é divulgado no âmbito de compromissos recíprocos, com contrapartida, pagamento, comissionamento ou outra conexão material entre quem publica e o anunciante. Nesse caso o conteúdo é anúncio e precisa ser identificado como tal. É o degrau mais alto da escada que fecha este capítulo, e o único em que a identificação como anúncio é obrigatória.

Mensagem ativada

A segunda o guia chama de mensagem ativada, e é a modalidade que quase ninguém conhece pelo nome apesar de usá-la o tempo todo.

Mensagem ativada
É a menção feita por um usuário a partir de um benefício não remuneratório oferecido pela marca, como brinde, convite, viagem ou concurso de engajamento, sem que tenha havido arranjo para a divulgação nem interferência no conteúdo da mensagem.

Pelo guia, a mensagem ativada não é anúncio, mas está sujeita ao princípio da transparência: como o benefício pode afetar o teor da mensagem, é necessária a menção da relação que deu origem à publicação. E o texto é explícito ao dizer que entra nessa modalidade o conteúdo gerado por usuários em decorrência de brindes, ações promocionais e concursos que incentivem a postagem.

Isso alcança em cheio uma mecânica conhecida: poste com a nossa hashtag e concorra. Quem publica por causa do sorteio não está fazendo uma menção espontânea, e essa origem precisa ficar visível.

UGC espontâneo

A terceira modalidade é o UGC no sentido estrito, sem vínculo nenhum: a menção feita de modo autônomo e espontâneo, sem contato prévio com a marca ou com a agência. Em regra, ela não constitui publicidade, e a responsabilidade por eventual conteúdo irregular fica com quem publicou.

Quanto mais relação com a marca, mais obrigação 1. Espontâneo Sem contato com a marca Obrigação: nenhuma 2. Ativado Brinde, convite, concurso Obrigação: dizer a origem 3. Publicidade Pagamento ou permuta Obrigação: identificar como publi
As três modalidades de conteúdo de terceiro descritas pelo guia do CONAR e a obrigação de cada uma.

Quando o repost vira anúncio

O repost muda o autor da mensagem. Enquanto a foto está no perfil do cliente, ela é conteúdo de terceiro e responde por si. No instante em que a marca compartilha aquilo no próprio perfil, o guia do CONAR registra que a postagem passa a configurar divulgação de primeira parte, ficando sujeita às normas aplicáveis à publicidade.

Divulgação de primeira parte

A consequência é direta e vale para qualquer empresa, do salão de bairro à loja com dez mil seguidores: tudo que o cliente afirmou naquele vídeo passa a ser afirmação da marca. Se ele disse que o produto cura, que o serviço é o mais rápido da cidade ou que a entrega sai em duas horas, é a marca que precisa sustentar aquilo.

Cliente publica conteúdo dele Marca reposta no perfil próprio Vira primeira parte a marca passa a ser a emissora Regras do anúncio prova e identificação
O caminho de um conteúdo de cliente até virar publicidade da marca, com o ponto de virada no repost.

Identificação publicitária

A identificação publicitária vale para o story compartilhado, para o destaque no perfil, para o print colado na página de vendas e para o vídeo do cliente usado como criativo de anúncio. Em todos esses casos, a marca escolheu, editou e publicou, e o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária exige no artigo 28 que o anúncio seja claramente distinguido como tal, seja qual for a forma ou o meio de veiculação.

Anexo de testemunhais

O depoimento também tem regra própria

O anexo de testemunhais do mesmo código exige que o nome e o sobrenome do consumidor identificado sejam verdadeiros, que funcionários e modelos profissionais não se façam passar por consumidor comum, e que o depoimento fique limitado à experiência pessoal com o produto, sem avançar sobre assunto técnico que a pessoa não domina.

Antes do repost, o conteúdo é do cliente e responde por ele. Depois do repost, o conteúdo é anúncio da marca e responde pelas regras de publicidade, inclusive a de comprovar tudo que foi afirmado ali.

De quem é a foto do cliente

A foto é de quem a tirou, e quem aparece nela tem um direito separado sobre a própria imagem. São duas permissões distintas, com leis distintas, e as duas precisam existir antes de a marca publicar. Quando o cliente fotografou o produto sozinho, uma delas basta. Quando ele aparece na foto, as duas se acumulam.

Direito autoral

A Lei 9.610 de 1998 lista as obras fotográficas entre as obras intelectuais protegidas e diz, no artigo 29, que depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, inclusive a reprodução parcial ou integral. Não existe ali exceção para foto publicada em rede social nem para foto que marcou o perfil da empresa.

A mesma lei trata da transferência desses direitos: ela pode ser total ou parcial, a transmissão total e definitiva só se admite por estipulação contratual escrita, e sem contrato escrito o prazo máximo é de cinco anos. Não havendo especificação de modalidade de uso, o contrato se interpreta restritivamente, limitado ao que for indispensável à finalidade.

Na prática isso significa que uma autorização genérica por mensagem cobre menos do que a maioria das empresas imagina. Se você combinou usar a foto no Instagram, usar a mesma foto num anúncio pago no ano seguinte é outro uso, e não estava combinado.

Direito de imagem

Direito de imagem
É o direito que toda pessoa tem sobre a exposição da própria figura. O Código Civil permite proibir a publicação da imagem de alguém, sem prejuízo de indenização, quando ela não foi autorizada e se destina a fins comerciais.

O artigo 20 do Código Civil é curto e direto nesse ponto: salvo se autorizadas, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa podem ser proibidas a requerimento dela quando atingirem a honra ou a boa fama, ou quando se destinarem a fins comerciais. Post de marca é fim comercial por definição.

Há ainda uma terceira camada quando o conteúdo identifica alguém: imagem e depoimento com nome são dado pessoal, e o tratamento desse dado pela empresa precisa de base legal. A Lei Geral de Proteção de Dados organiza essas bases, e a que se encaixa no uso de imagem e depoimento é o consentimento: manifestação livre, informada e inequívoca, para uma finalidade determinada.

Quem fotografou Lei 9.610, artigo 29 Quem aparece Código Civil, artigo 20 Uso autorizado com escopo e prazo escritos
Foto com pessoa reconhecível depende de duas permissões separadas, e uma não supre a outra.

A licença que a plataforma tem

A marcação no story não transfere direito nenhum para a sua empresa. A licença que o usuário concede ao publicar é para a plataforma, não para as marcas que aparecem no conteúdo. É uma distinção que parece detalhe e resolve metade das dúvidas sobre repost.

Termos de uso do Instagram

Os termos de uso do Instagram dizem isso com todas as letras: a empresa não reivindica a propriedade do conteúdo do usuário, e o que ele concede é uma licença não exclusiva, gratuita, transferível, sublicenciável e mundial para hospedar, usar, distribuir, modificar, copiar, exibir e criar trabalhos derivados, encerrando quando o conteúdo é excluído dos sistemas.

O beneficiário dessa licença é a plataforma, e é aí que a leitura se perde: o contrato é entre o usuário e a rede social, e a marca mencionada no post não é parte dele. Sublicenciável descreve o que a plataforma pode fazer com o conteúdo, não uma permissão que passa automaticamente para quem foi marcado.

Repost nativo no story

O que o recurso nativo resolve

Compartilhar no story uma menção feita ao seu perfil, pelo botão da própria rede, é diferente de baixar o vídeo e republicá-lo como post seu. O primeiro caminho mantém o crédito e o link para o autor e some em 24 horas. O segundo cria uma peça nova, permanente, com a marca como emissora.

Como pedir autorização

Uma autorização de uso serve quando responde quatro perguntas: qual conteúdo, para onde, por quanto tempo e quem está autorizando. Falta uma dessas e o documento vira uma conversa amigável que ninguém consegue usar depois.

Autorização por escrito

O anexo de testemunhais do código publicitário é explícito quanto à forma: o anunciante ou a agência deve obter autorização escrita da testemunha antes de veicular, e essa autorização pode ser exigida pelos veículos. O texto não define suporte nem formulário, e o que ele exclui é claro: o combinado verbal que ninguém registrou. Print de conversa, e-mail e formulário servem, desde que fiquem guardados.

Os quatro campos do termo

  1. Descreva o conteúdo exato Diga qual post, qual vídeo, qual data. Autorização para usar "as fotos que você postou" não delimita nada e envelhece mal, porque o cliente continua postando.
  2. Liste onde o conteúdo vai aparecer Perfil da empresa, site, anúncio pago, material impresso. A lei manda interpretar restritivamente o que não foi especificado, então o que não estiver escrito não está autorizado.
  3. Combine o prazo e como encerrar Diga por quanto tempo vale e por onde a pessoa pede a retirada. Um prazo curto e renovável é mais fácil de conseguir do que um "para sempre" que faz qualquer cliente hesitar.
  4. Guarde a resposta no mesmo lugar que o arquivo Print da conversa, e-mail ou formulário, junto do arquivo original e do nome completo de quem autorizou. Autorização que ninguém acha na hora da dúvida não existe.

Quatro campos dão conta de uma autorização de uso: o que, onde, por quanto tempo e quem autoriza. Autorização sem prazo não tem fim, e autorização sem a descrição do conteúdo não tem objeto.

Avaliação também é UGC

Avaliação é o formato de UGC com a regra mais detalhada, porque a plataforma define até como pedir. Quem cuida de um Perfil da Empresa no Google está operando dentro de uma política de conteúdo que trata avaliação incentivada e avaliação selecionada como manipulação de classificação.

A seleção por satisfação

A política de conteúdo proibido e restrito do Google Maps veda, com essas palavras, que comerciantes desencorajem ou proíbam avaliações negativas ou peçam avaliações positivas aos clientes de forma seletiva. O conselho de pedir avaliação só para quem saiu satisfeito, comum em material de agência, é exatamente a prática descrita ali.

A mesma política também diz que, ao pedir avaliações, o comerciante não pode exigir nem pressionar o cliente a avaliar no local, nem pedir que um conteúdo específico seja incluído no texto. Pedir na entrega continua permitido, e é o que o guia de exemplos recomenda: o que a política barra é a pressão para avaliar ali na frente e o roteiro do que escrever, com a palavra-chave que você quer ranquear.

O incentivo proibido

Qualquer coisa oferecida em troca contamina a avaliação, e a mesma política nomeia as formas: pagamento, desconto, produto ou serviço sem custo, seja para publicar uma avaliação seja para remover uma negativa. O sorteio entre quem avaliou entra na mesma família, porque a postagem passou a ter um incentivo na origem.

O que continua permitido é simples e funciona: solicitar ou incentivar a postagem de conteúdo que represente uma experiência genuína, sem oferecer incentivo e sem tentar influenciar a nota ou o conteúdo. Ou seja, peça a todo mundo, na mesma hora do processo, sem filtro e sem roteiro.

Como isso se encaixa no resto do trabalho de ficha local está no guia sobre SEO no Google Meu Negócio, e o caso concreto de uma empresa pequena montando prova social aparece entre os exemplos de marketing digital.

Depoimento no site e a estrela

Depoimento sobre a sua empresa publicado no seu próprio site não gera estrela no resultado de busca. Quem monta uma página de depoimentos esperando ver nota e contagem embaixo do link no Google está esperando um recurso que a documentação exclui justamente nesse caso.

Snippet de avaliação

A documentação de dados estruturados é clara: páginas que usam LocalBusiness ou qualquer outro tipo de Organization não se qualificam para o recurso de avaliação por estrelas quando a entidade avaliada controla as avaliações sobre si mesma. O exemplo citado ali inclui o widget de avaliações de terceiro incorporado na página. A restrição é de entidade, não de página: ela vale quando o avaliado é a própria empresa.

Página de depoimentos

Avaliação na ficha da empresa Aparece na busca e no mapa Nota agregada calculada pela plataforma A empresa não controla o que entra Depoimento sobre a sua empresa No seu site: convence e não vira estrela
Os dois destinos de uma avaliação e o que cada um entrega no resultado de busca.

Isso não torna o depoimento inútil, muda a função dele. Na página, ele trabalha sobre quem já chegou, respondendo objeção com a palavra de outra pessoa. Na ficha da empresa, ele trabalha antes do clique, dentro de uma superfície que a sua empresa não controla, e é justamente esse descontrole que dá credibilidade à nota.

A consequência prática é que os dois lugares precisam existir e não se substituem. Copiar a avaliação do Google para a página de depoimentos é legítimo enquanto o texto for citado como é, com o nome de quem escreveu, e não vira estrela por causa disso.

UGC dentro do site

Comentário, pergunta e avaliação publicados no seu domínio são conteúdo do seu site perante o buscador, com o seu endereço, a sua reputação e o seu risco. Quem abre área de comentário está hospedando texto de estranho numa página que responde pelo negócio.

O atributo rel="ugc"

rel="ugc"
É o valor de atributo que marca links vindos de conteúdo gerado pelo usuário, como comentários e postagens de fórum, para que o buscador saiba que aquela indicação não é um endosso editorial do site.

A recomendação é da própria documentação do Google, que lista os três valores de qualificação de link: sponsored para posição paga, ugc para conteúdo de usuário e nofollow quando nenhum dos outros se aplica. A mesma página diz que o atributo pode ser removido dos links de colaboradores que sempre contribuíram com qualidade.

Moderação de comentários

O outro lado é a moderação de comentários. Formulário de comentário aberto é o alvo clássico de quem distribui spam, e o guia oficial sobre como evitar spam gerado pelo usuário sugere medidas simples: avisar que spam não é permitido, usar aprovação manual em interações suspeitas, manter uma lista de bloqueio, impedir criação automática de conta e monitorar o serviço.

Diferença entre UGC e copy

A fronteira entre os dois assuntos é limpa e vale declarar: copy é o texto que a marca escreve para convencer, e UGC é o texto que outra pessoa escreveu e a marca quer usar. O primeiro se reescreve à vontade; o segundo se cita, com permissão, e perde o valor no instante em que a marca começa a editá-lo.

Como medir UGC

A conta de UGC cabe em três números, e nenhum deles é curtida. Volume, nota e uso. O resto é decoração de relatório.

Os três números do UGC

  • Volume por período. Quantas avaliações, fotos ou depoimentos novos entraram no mês. É o número que mostra se a rotina de pedir existe ou se parou em janeiro.
  • Nota e o que puxa ela para baixo. A média isolada engana; o que informa é ler as notas baixas e achar o problema que se repete, porque ele costuma ser de operação e não de marketing.
  • Uso autorizado disponível. Quantas peças de cliente você pode publicar hoje sem precisar pedir nada a ninguém. Esse é o estoque real, e o tamanho dele é o da lista de autorizações, não o da pasta de arquivos.

Atribuição de venda

O que não dá para medir com honestidade é a venda que um depoimento específico causou. Entre ler a avaliação e comprar existem outras dez coisas, e atribuir o pedido a uma peça isolada é inventar precisão. O que dá para observar é a taxa de quem chegou à página e avançou, e a comparação entre versões com e sem prova social quando o volume permite.

Se a página de depoimentos tem um pedido no fim, é ele que fecha a medição, e a forma de escrever esse pedido é o assunto do guia sobre o que é CTA no marketing digital.

Checklist de UGC

Nada do que vem abaixo exige ferramenta paga nem ajuda técnica. As cinco checagens se fazem com o celular na mão, sobre o que já está publicado, que é onde o problema costuma estar parado há meses.

Cinco checagens no celular

  1. Abra o seu perfil e conte o que é de terceiro Passe os últimos trinta posts e marque quais usam foto, vídeo ou frase de outra pessoa. Para cada um, responda onde está a autorização. A conta de quantos ficam sem resposta é o tamanho do problema.
  2. Procure a palavra publi nos conteúdos pagos Veja as publicações feitas por pessoas que receberam pagamento, produto ou permuta da sua empresa. A identificação precisa estar visível em primeiro plano, sem depender do botão de ver mais.
  3. Releia como você pede avaliação Pegue a mensagem padrão que a equipe envia e procure três coisas nela: filtro por quem elogiou, oferta de algo em troca e sugestão do que escrever. Cada uma das três contraria a política da plataforma por si só.
  4. Confira o nome nos depoimentos do site Nome inventado é o que não se sustenta: o código publicitário pede nome e sobrenome verdadeiros sempre que o consumidor é identificado. Assinar com inicial ou não assinar é permitido, e custa credibilidade com quem lê. O que a norma não admite é nome falso passando por cliente real.
  5. Teste a área de comentários com um link Se o site aceita comentário, publique um com link e veja o código da página depois de aprovado. O link precisa sair com rel="ugc" ou equivalente, e não como link comum do seu domínio.

Erros comuns com UGC

  • Pasta sem procedência. Arquivos de clientes salvos sem nome, data nem registro de quem autorizou. Na dúvida sobre a origem, aquilo não é usável.
  • Print recortado. Depoimento colado na página com o nome cortado para parecer discreto. Sem identificação, aquilo convence menos e ainda parece fabricado.
  • Funcionário como cliente. Avaliação ou depoimento de quem trabalha na empresa. A política do Maps trata vínculo de emprego como conflito de interesse, e o anexo de testemunhais proíbe que funcionário se faça passar por consumidor comum.
  • Promessa dita pelo cliente. Vídeo em que o cliente afirma prazo, resultado ou cura. Ao repostar, a afirmação passa a ser sua e precisa de prova.

Conferir é uma coisa, e o limite dela precisa ficar dito. A lista acima mostra o que está exposto hoje, e não organiza o arquivo de autorizações, não escreve o termo que a empresa vai usar daqui em diante, não decide quais páginas merecem prova social e não responde dúvida jurídica de caso concreto, que é conversa de advogado.

Quando contratar uma agência

Autorização vira arquivo quando o volume cresce. Cinco depoimentos cabem na cabeça de quem atende. Duzentas peças de cliente, espalhadas por três redes e uma pasta na nuvem, com prazos diferentes e uma pessoa que pediu para tirar a foto do ar, viram rotina de controle, não tarefa de fim de expediente.

Prova do cliente na busca

A busca é o outro lado, e é onde esse material rende fora do feed. Avaliação, pergunta de cliente e depoimento são matéria-prima de página: eles dizem, com as palavras do próprio público, o que as pessoas querem saber antes de comprar. Transformar isso em página que o buscador encontra é decisão de arquitetura, e ela vem antes de escrever.

  • Muitas peças para controlar. Cada uma com autor, escopo, prazo e canal próprios, e todas precisando continuar autorizadas depois que o prazo vence.
  • Catálogo grande com avaliação por item. Loja com centenas de produtos precisa decidir o que é indexável, o que é duplicado e o que fica fora do índice.
  • Reputação espalhada. Ficha no Google, marketplace, rede social e site dizendo coisas diferentes sobre a mesma empresa.
  • Medição mês a mês. Saber se a página com prova social passou a ser encontrada exige acompanhar a mesma tela ao longo do tempo.

Como a Voh! trabalha

É esse o trabalho que a Voh! faz. A Voh! é uma agência especializada em SEO e GEO, e o foco central da casa é tudo que precisa ser encontrado na busca, incluindo a página onde a prova do cliente vai morar, em qualquer tipo de site, do institucional à loja virtual, e a criação do site quando ele ainda não existe. Quando o projeto pede, ela também faz gestão de redes sociais e de tráfego no Meta Ads e no TikTok Ads, com proposta própria para cada frente, mas o orgânico vem primeiro, porque é o ativo que fica. Na busca orgânica são três formas de começar, uma auditoria gratuita, um pacote de implementação com seis meses de acompanhamento e o SEO Mensal, que não exige fidelidade. O diagnóstico vem sempre antes da proposta, porque orçar sem olhar o site é chute. E não existe garantia de posição: o algoritmo é do Google, e quem promete o contrário está prometendo uma decisão que não é dele. Para a história e o método, leia sobre a Voh!.

Se você quer saber quais páginas do seu site estão sendo encontradas hoje e onde a prova do cliente caberia nelas, Fale com a Voh!

Os limites do UGC

UGC mostra o que já existe, e não inventa o que não existe. Nos seis casos abaixo essa exposição não ajuda ou piora a situação.

Quando o UGC não aparece

  • O público não publica. Serviço discreto, assunto delicado ou compra que ninguém quer associar ao próprio nome não geram material espontâneo, por melhor que seja a entrega.
  • O prazo é de dias. Juntar avaliação, depoimento e autorização é rotina de meses, e o efeito aparece acumulado, nunca na primeira semana.
  • Ninguém procura pelo que você vende. Prova social convence quem chegou. Se não há demanda de busca para aquele serviço, o problema é anterior e não se resolve com depoimento.

Quando o problema é outro

  • A entrega tem problema. Pedir conteúdo de cliente quando o serviço está falhando acelera a chegada da reclamação ao lugar mais visível que existe, que é a ficha pública da empresa.
  • O conteúdo precisa ser editado para servir. Quando a peça só funciona depois de cortar, legendar e reescrever, ela deixou de ser prova de terceiro e virou publicidade comum, com as obrigações de publicidade.
  • A dúvida é jurídica. Caso concreto de uso de imagem, contrato com criador e resposta a notificação são terreno de advogado. Aqui cabe saber que a regra existe e onde ela está escrita.

Resumo em 10 pontos

UGC é conteúdo de terceiro com dono, e é essa condição que separa o uso que funciona do uso que cria problema. Os dez pontos abaixo vão da definição às regras que decidem o que pode ser publicado e o que aparece na busca.

  • UGC é o conteúdo que clientes e seguidores criam sobre uma marca por iniciativa própria, e o que o define é o emissor.
  • UGC creator é outra coisa: conteúdo pago, com briefing, produzido para a marca publicar. O formato imita o espontâneo, a relação é publicitária.
  • O guia do CONAR separa três modalidades pelo tipo de relação: espontânea, ativada por benefício e publicidade com contrapartida.
  • Concurso de hashtag e brinde entram na modalidade ativada, e a origem da postagem precisa ficar visível.
  • Quando a marca reposta o conteúdo do usuário, a publicação passa a ser divulgação de primeira parte e responde pelas regras da publicidade.
  • A Lei 9.610 exige autorização prévia e expressa do autor para reproduzir a obra, e foto de rede social é obra protegida.
  • O artigo 20 do Código Civil permite proibir o uso não autorizado da imagem de uma pessoa quando ele se destina a fim comercial.
  • Ser marcado no story não transfere direito: o contrato de licença é do usuário com a rede social, e a empresa citada não é parte dele.
  • Pedir avaliação só a quem ficou satisfeito, ou oferecer algo em troca, é o que a política do Google Maps chama de manipulação de classificação.
  • Depoimento sobre a própria empresa, no site dela, não vira estrela na busca, porque a entidade avaliada controla as avaliações sobre si mesma. Avaliação de cliente em página de produto é outro caso.

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Perguntas frequentes

O que significa UGC no marketing digital?

UGC é a sigla de user generated content, ou conteúdo gerado pelo usuário. São as avaliações, fotos, vídeos, depoimentos e comentários que clientes e seguidores produzem sobre uma marca, por iniciativa própria. O que define o UGC é o emissor: quem fala não é a empresa, é quem consumiu o produto ou serviço.

UGC creator é a mesma coisa que UGC?

Não. UGC creator é quem produz, sob contrato, um vídeo ou uma foto com aparência de conteúdo espontâneo, entregue à marca para ser publicado nos canais dela. Existe pagamento e existe briefing, então aquilo é publicidade produzida por terceiro, não conteúdo gerado por usuário no sentido original do termo.

Posso pedir avaliação no Google para os meus clientes?

Pode pedir, desde que peça a todos e sem oferecer nada em troca. A política de conteúdo do Google Maps proíbe desencorajar avaliações negativas, pedir avaliações positivas de forma seletiva e oferecer pagamento, desconto ou produto grátis em troca de avaliação. Também não é permitido exigir um conteúdo específico no texto.

Posso repostar a foto que o cliente publicou marcando a minha empresa?

Só com autorização de quem publicou. A Lei de Direitos Autorais exige autorização prévia e expressa do autor para reproduzir a obra, e a marcação numa rede social não é autorização. Além disso, o Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais do CONAR registra que o compartilhamento de conteúdo de usuário pela marca passa a configurar divulgação de primeira parte, sujeita às normas da publicidade.

Preciso identificar como publicidade o conteúdo que eu paguei?

Sim. O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária exige, no artigo 28, que o anúncio seja claramente distinguido como tal, seja qual for a forma ou o meio. Quando existe pagamento, comissionamento ou outra conexão material entre a marca e quem publica, o guia do CONAR pede a identificação explícita, por recurso da própria plataforma ou por expressões como publicidade e publi.

Depoimento de cliente no meu site aparece como estrela no Google?

Não. A documentação de dados estruturados do Google trata isso como avaliação em benefício próprio: páginas com LocalBusiness ou Organization não se qualificam para estrelas quando a entidade avaliada controla as avaliações sobre si mesma, inclusive por widget de terceiro incorporado. O depoimento continua útil para quem lê, só não vira estrela no resultado de busca.

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