O Google anunciou, na terça-feira (20/10/2026), que vai exigir dos anunciantes de certos serviços financeiros no Google Ads dos Estados Unidos e do Canadá a comprovação de autorização regulatória, além da verificação de identidade já exigida por sua política de anúncios. A nova etapa do programa Financial Services Verification tem implementação prevista para o início de 2027.
O que você precisa saber
- O Google anunciou, na terça-feira (20/10/2026), que vai exigir comprovação de autorização regulatória de anunciantes de certos serviços financeiros no Google Ads dos Estados Unidos e do Canadá, com entrada em vigor prevista para o início de 2027.
- A exigência é uma etapa nova do programa Financial Services Verification, que já existe para identidade e passa a cobrar também prova de autorização de regulador ou registro reconhecido.
- Nos Estados Unidos, a verificação vai usar o registro da American Bankers Association; no Canadá, o Google está em conversa com a Canadian Bankers Association para definir o processo.
- O programa de verificação de serviços financeiros do Google Ads protege, segundo o Google, cerca de 2 bilhões de usuários de internet em 42 países.
- O Brasil está nessa lista desde 24 de janeiro de 2023, com o Banco Central, a CVM, a Susep e outros órgãos citados pelo Google como referência de autorização.
O que o Google anunciou
O Google anunciou, na terça-feira (20/10/2026), uma nova etapa do programa Financial Services Verification do Google Ads, a plataforma de anúncios pagos do Google (a diferença entre ela e o SEO está explicada neste guia). A partir do início de 2027, anunciantes que veiculam certos anúncios financeiros nos Estados Unidos e no Canadá vão precisar comprovar autorização de um regulador ou de um registro reconhecido do setor, além de passar pela verificação de identidade que o Google já exige desses anunciantes. Segundo dado interno do Google referente ao período de 1º de setembro de 2025 a 31 de agosto de 2026, mais de 97% dos anúncios exibidos nos Estados Unidos e no Canadá já vêm de anunciante com identidade verificada.
Segundo Keerat Sharma, vice-presidente e gerente geral de Privacidade e Segurança de Anúncios do Google, a exigência busca, nas palavras da empresa, ajudar a impedir a falsificação de marcas (brand impersonation, em inglês) e dificultar o alcance de golpistas aos usuários.
O Google não detalhou, no anúncio, quais categorias de anúncio financeiro entram na exigência. O texto diz que a empresa vai divulgar informações específicas por país antes do lançamento, incluindo os registros aceitos, as credenciais exigidas e as instruções de cadastro.
| Quem anunciou | Google, pela voz de Keerat Sharma, VP e gerente geral de Privacidade e Segurança de Anúncios |
|---|---|
| O que muda | Comprovação de autorização regulatória para certos anúncios financeiros no Google Ads |
| Quando foi anunciado | Terça-feira, 20 de outubro de 2026 |
| Onde passa a valer | Estados Unidos e Canadá |
| Quando entra em vigor | Previsto para o início de 2027 |
| Brasil | Já exige verificação desde 24 de janeiro de 2023 |
Como funciona a verificação
Nos Estados Unidos, o Google vai usar o registro da American Bankers Association para verificar bancos autorizados antes de veicular anúncio deles. No Canadá, a empresa informou estar em conversa com a Canadian Bankers Association enquanto se prepara para a implantação da verificação no país.
O anúncio não cita multa nem prazo de suspensão de conta para quem não completar a verificação quando ela abrir: o texto do Google diz apenas que vai dar orientação aos anunciantes antes do lançamento, e que eles serão avisados se e quando precisarem concluir o processo.
O programa de verificação de serviços financeiros não é novo: o Google afirma que ele já protege cerca de 2 bilhões de usuários de internet em 42 países, com início no Reino Unido em 2021 e expansão, em seguida, à União Europeia.
O que muda em cada mercado
A exigência de verificação de anunciantes financeiros não nasce com os Estados Unidos e o Canadá: o Google lista dezenas de mercados onde a regra já vale, cada um com data própria de início da aplicação. O Brasil está nessa lista desde 24 de janeiro de 2023, com o Banco Central do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Brasil (Apimec) citados pelo Google como referência de autorização.
Para quem anuncia serviço financeiro no Brasil, a comprovação que o Google vai exigir nos Estados Unidos e no Canadá segue o mesmo modelo já aplicado por aqui desde 2023: provar, perante um órgão regulador reconhecido, que a empresa está autorizada a oferecer o produto anunciado.
| Mercado | Início da exigência | Situação em 20/10/2026 |
|---|---|---|
| Reino Unido | 06/09/2021 | Em vigor |
| Brasil | 24/01/2023 | Em vigor |
| Irlanda, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Tailândia | 07/11/2024 | Em vigor |
| União Europeia (lote mais recente) | 23/07/2026 | Em vigor |
| Estados Unidos | Previsto para 2027 | Anunciado em 20/10/2026 |
| Canadá | Previsto para 2027 | Anunciado em 20/10/2026 |
Por que importa
A decisão de ampliar, para os Estados Unidos e o Canadá, um programa que já vale para 42 países, o Brasil entre eles desde 2023, mostra que o Google trata fraude em anúncio financeiro como risco estrutural da plataforma, e não como exceção pontual.
Para quem administra conta de Google Ads de cliente do setor financeiro no Brasil, o anúncio desta terça-feira (20/10/2026) funciona como lembrete de que a verificação de autorização regulatória não é etapa temporária: é política permanente da plataforma, sujeita a nova exigência sempre que o Google decidir ampliar a lista de mercados ou de categorias de anúncio cobertas.
O Google não informou, no anúncio, se a lista de categorias de anúncio financeiro cobertas pela regra vai mudar para os mercados que já fazem parte do programa, o Brasil incluído.