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Meta adia para 20 de novembro os termos que ampliam a raspagem de dados de contas comerciais

A Meta adiou a entrada em vigor dos novos Termos Comerciais e de Anúncios Self-Service, que ampliam a raspagem de dados, depois de publishers e reguladores contestarem o texto.

Totem da Meta com o símbolo do like na entrada da sede da empresa, no endereço 1601 Willow Road, em Menlo Park, na Califórnia
Entrada da sede da Meta em Menlo Park, na Califórnia. Imagem: LPS.1/Wikimedia Commons, CC0

A Meta adiou para 20 de novembro de 2026 a entrada em vigor dos Termos Comerciais e dos Termos de Anúncios Self-Service que ampliam a permissão de raspar sites de qualquer conta comercial. A data valeria desde 30 de outubro, antes de publishers e reguladores dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia contestarem o texto.

O que você precisa saber

  • A Meta adiou de 30 de outubro para 20 de novembro de 2026 a entrada em vigor dos Termos Comerciais e dos Termos de Anúncios Self-Service que ampliam a raspagem de dados de contas comerciais.
  • A empresa disse, em comunicado ao Digiday, que a extensão serve para explicar melhor aos parceiros o que muda e o que não muda no texto.
  • A cláusula que autoriza a Meta a raspar sites de qualquer conta comercial continua nos dois documentos; só a lista declarada de usos do conteúdo coletado mudou, sem a palavra "treinar".
  • Publishers (News/Media Alliance, WAN-IFRA) e reguladores dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia pressionaram pelo adiamento ou pela revisão dos termos.
  • Para quem usa Página, catálogo ou anúncio da Meta, o robots.txt do site continua sendo o único controle que a empresa reconhece publicamente, mesmo sem citação no texto dos termos.

Por que a Meta adiou

A Meta confirmou, nos Termos Comerciais e nos Termos de Anúncios Self-Service, lidos pela Voh! em 26 de outubro, que a nova data de vigência é 20 de novembro de 2026, três semanas depois dos 30 de outubro anunciados em 16 de outubro. A Voh! cobriu a mudança original quando a Meta ampliou a qualquer conta comercial, com ou sem anúncio, a permissão de usar raspadores para coletar conteúdo de sites.

Em comunicado por e-mail ao Digiday, a Meta disse que a extensão do prazo serve para explicar melhor a mudança, em tradução livre da Voh!:

As atualizações servem para dar mais tempo para explicarmos aos nossos parceiros e às partes interessadas o que está mudando e o que não está.

O porta-voz também disse ao Digiday que quem publica conteúdo continua podendo usar o robots.txt do próprio site para sinalizar preferências, a mesma resposta que o porta-voz da Meta Andy Stone deu em 16 de outubro, quando negou publicamente que a mudança nos termos alterasse a forma como a empresa usa seus robôs de rastreamento.

Ficha rápida
O que mudouData de vigência dos Termos Comerciais e dos Termos de Anúncios Self-Service da Meta
Data anterior30 de outubro de 2026
Nova data de vigência20 de novembro de 2026
Quem é afetadoQualquer conta comercial no Facebook, no Instagram, no WhatsApp ou no Messenger, com ou sem anúncio
Motivo declarado pela MetaDar mais tempo para explicar a mudança a parceiros e partes interessadas
BrasilNão informado tratamento específico

O que muda frente à versão de 16 de outubro

A cláusula que autoriza a Meta a usar raspadores, robôs e credenciais de teste para coletar conteúdo de sites associados a qualquer conta comercial continua, sem alteração, nos dois documentos, segundo o Search Engine Journal. O que mudou foi a lista declarada de usos do conteúdo coletado: a versão lida pela Voh! em 26 de outubro não cita mais "treinar" entre as finalidades, ao contrário da versão de 16 de outubro, que autorizava a Meta a "fornecer, desenvolver, melhorar, pesquisar, treinar e manter a integridade" dos produtos.

Segundo o Digiday, a Meta também limitou, na nova versão, o uso declarado do conteúdo raspado a "produtos de publicidade e de negócios". Publishers ouvidos pela reportagem disseram que as duas mudanças não resolvem a preocupação deles com a cláusula.

O que mudouVersão de 16 de outubroVersão lida em 26 de outubro
Data de entrada em vigor30 de outubro de 202620 de novembro de 2026
Uso declarado do conteúdo coletado"fornecer, desenvolver, melhorar, pesquisar, treinar e manter a integridade" dos produtos"fornecer, desenvolver, melhorar, pesquisar e manter" os produtos de publicidade e de negócios, sem a palavra "treinar"
O que mudou entre a versão de 16 de outubro e a lida pela Voh! em 26 de outubro. Em negrito, a versão atual. Fonte: Meta, Termos Comerciais e Termos de Anúncios Self-Service (facebook.com/legal, versões de 16/10 e 26/10) e Digiday (23/10/2026)

Quem pressionou a Meta

A News/Media Alliance, que reúne mais de 2.000 publishers nos Estados Unidos, pediu ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, que retirasse os termos revisados antes de 30 de outubro; pela voz da presidente-executiva Danielle Coffey, a entidade acusou a Meta de abusar do poder de mercado, segundo o Digiday.

  • A WAN-IFRA, associação mundial de editores de notícias com mais de 20 mil membros em 120 países, enviou carta à Meta contestando os termos.
  • O Center for Media and Digital Governance, do Open Markets Institute, pediu que reguladores dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia agissem antes do prazo original de 30 de outubro.
  • Entidades europeias, entre elas o European Publishers Council e o Movement for an Open Web, apresentaram queixas e cartas conjuntas à Comissão Europeia.

Segundo o Search Engine Journal, nenhuma declaração de reguladores ordenou o adiamento: a extensão partiu da própria Meta.

Por que importa

O adiamento muda o calendário, não a regra: quem mantém Página, catálogo ou campanha de anúncio no Facebook ou no Instagram ganha mais três semanas antes de a cláusula de raspagem valer, mas ela segue igual à de 16 de outubro, sem opção de recusar só esse trecho dos termos. Revisar o robots.txt do próprio site antes de 20 de novembro continua sendo o único controle que a Meta reconhece em resposta pública, mesmo sem citar esse arquivo no texto dos termos.

A reação de publishers e reguladores de três continentes mostra que a pressão pública pode mexer no calendário de uma plataforma grande, mesmo sem mudar a cláusula em si: é o tipo de sinal que quem decide investimento em mídia paga ou gestão de redes sociais faz bem em acompanhar, porque o próximo ajuste nos termos tende a vir pela mesma via.

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