A Meta adiou para 20 de novembro de 2026 a entrada em vigor dos Termos Comerciais e dos Termos de Anúncios Self-Service que ampliam a permissão de raspar sites de qualquer conta comercial. A data valeria desde 30 de outubro, antes de publishers e reguladores dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia contestarem o texto.
O que você precisa saber
- A Meta adiou de 30 de outubro para 20 de novembro de 2026 a entrada em vigor dos Termos Comerciais e dos Termos de Anúncios Self-Service que ampliam a raspagem de dados de contas comerciais.
- A empresa disse, em comunicado ao Digiday, que a extensão serve para explicar melhor aos parceiros o que muda e o que não muda no texto.
- A cláusula que autoriza a Meta a raspar sites de qualquer conta comercial continua nos dois documentos; só a lista declarada de usos do conteúdo coletado mudou, sem a palavra "treinar".
- Publishers (News/Media Alliance, WAN-IFRA) e reguladores dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia pressionaram pelo adiamento ou pela revisão dos termos.
- Para quem usa Página, catálogo ou anúncio da Meta, o robots.txt do site continua sendo o único controle que a empresa reconhece publicamente, mesmo sem citação no texto dos termos.
Por que a Meta adiou
A Meta confirmou, nos Termos Comerciais e nos Termos de Anúncios Self-Service, lidos pela Voh! em 26 de outubro, que a nova data de vigência é 20 de novembro de 2026, três semanas depois dos 30 de outubro anunciados em 16 de outubro. A Voh! cobriu a mudança original quando a Meta ampliou a qualquer conta comercial, com ou sem anúncio, a permissão de usar raspadores para coletar conteúdo de sites.
Em comunicado por e-mail ao Digiday, a Meta disse que a extensão do prazo serve para explicar melhor a mudança, em tradução livre da Voh!:
As atualizações servem para dar mais tempo para explicarmos aos nossos parceiros e às partes interessadas o que está mudando e o que não está.
O porta-voz também disse ao Digiday que quem publica conteúdo continua podendo usar o robots.txt do próprio site para sinalizar preferências, a mesma resposta que o porta-voz da Meta Andy Stone deu em 16 de outubro, quando negou publicamente que a mudança nos termos alterasse a forma como a empresa usa seus robôs de rastreamento.
| O que mudou | Data de vigência dos Termos Comerciais e dos Termos de Anúncios Self-Service da Meta |
|---|---|
| Data anterior | 30 de outubro de 2026 |
| Nova data de vigência | 20 de novembro de 2026 |
| Quem é afetado | Qualquer conta comercial no Facebook, no Instagram, no WhatsApp ou no Messenger, com ou sem anúncio |
| Motivo declarado pela Meta | Dar mais tempo para explicar a mudança a parceiros e partes interessadas |
| Brasil | Não informado tratamento específico |
O que muda frente à versão de 16 de outubro
A cláusula que autoriza a Meta a usar raspadores, robôs e credenciais de teste para coletar conteúdo de sites associados a qualquer conta comercial continua, sem alteração, nos dois documentos, segundo o Search Engine Journal. O que mudou foi a lista declarada de usos do conteúdo coletado: a versão lida pela Voh! em 26 de outubro não cita mais "treinar" entre as finalidades, ao contrário da versão de 16 de outubro, que autorizava a Meta a "fornecer, desenvolver, melhorar, pesquisar, treinar e manter a integridade" dos produtos.
Segundo o Digiday, a Meta também limitou, na nova versão, o uso declarado do conteúdo raspado a "produtos de publicidade e de negócios". Publishers ouvidos pela reportagem disseram que as duas mudanças não resolvem a preocupação deles com a cláusula.
| O que mudou | Versão de 16 de outubro | Versão lida em 26 de outubro |
|---|---|---|
| Data de entrada em vigor | 30 de outubro de 2026 | 20 de novembro de 2026 |
| Uso declarado do conteúdo coletado | "fornecer, desenvolver, melhorar, pesquisar, treinar e manter a integridade" dos produtos | "fornecer, desenvolver, melhorar, pesquisar e manter" os produtos de publicidade e de negócios, sem a palavra "treinar" |
Quem pressionou a Meta
A News/Media Alliance, que reúne mais de 2.000 publishers nos Estados Unidos, pediu ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, que retirasse os termos revisados antes de 30 de outubro; pela voz da presidente-executiva Danielle Coffey, a entidade acusou a Meta de abusar do poder de mercado, segundo o Digiday.
- A WAN-IFRA, associação mundial de editores de notícias com mais de 20 mil membros em 120 países, enviou carta à Meta contestando os termos.
- O Center for Media and Digital Governance, do Open Markets Institute, pediu que reguladores dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia agissem antes do prazo original de 30 de outubro.
- Entidades europeias, entre elas o European Publishers Council e o Movement for an Open Web, apresentaram queixas e cartas conjuntas à Comissão Europeia.
Segundo o Search Engine Journal, nenhuma declaração de reguladores ordenou o adiamento: a extensão partiu da própria Meta.
Por que importa
O adiamento muda o calendário, não a regra: quem mantém Página, catálogo ou campanha de anúncio no Facebook ou no Instagram ganha mais três semanas antes de a cláusula de raspagem valer, mas ela segue igual à de 16 de outubro, sem opção de recusar só esse trecho dos termos. Revisar o robots.txt do próprio site antes de 20 de novembro continua sendo o único controle que a Meta reconhece em resposta pública, mesmo sem citar esse arquivo no texto dos termos.
A reação de publishers e reguladores de três continentes mostra que a pressão pública pode mexer no calendário de uma plataforma grande, mesmo sem mudar a cláusula em si: é o tipo de sinal que quem decide investimento em mídia paga ou gestão de redes sociais faz bem em acompanhar, porque o próximo ajuste nos termos tende a vir pela mesma via.