A Microsoft anunciou, na quarta-feira (28/10/2026), a pré-visualização pública do Microsoft Copilot harness no Foundry Agent Service: a mesma camada de orquestração que roda por trás do Copilot Code, do Copilot Studio, do aplicativo do GitHub Copilot, da CLI e do VS Code passa a ficar disponível para quem constrói agentes de IA no Foundry.
O que você precisa saber
- A Microsoft colocou em pré-visualização pública, na quarta-feira (28/10/2026), o Microsoft Copilot harness dentro do Foundry Agent Service, a mesma camada de orquestração de agentes que já roda por trás do Copilot Code, do Copilot Studio, do aplicativo do GitHub Copilot, da CLI e do VS Code.
- O harness dá acesso a mais de 20 modelos de IA de fronteira, com opção de usar chave própria (BYOK), e teve o runtime reescrito em Rust para reduzir o tempo de resposta e o custo por sessão, segundo a empresa.
- A cobrança pelo uso do harness no Foundry começa em 1º de dezembro de 2026: US$ 0,0994 por hora de vCPU e US$ 0,0118 por hora de GiB de memória do sandbox; até lá, o runtime é gratuito.
- A Microsoft também anunciou disponibilidade geral da resiliência de execução longa para agentes hospedados, que permite retomar automaticamente um trabalho interrompido durante horas ou dias.
- O GitHub Copilot SDK, usado para programar agentes com esse motor, está sendo renomeado para Microsoft Copilot SDK, numa transição por fases que não exige ação imediata de quem já usa o SDK.
O que a Microsoft anunciou
Segundo a empresa, o harness é a camada de orquestração que já roda por trás do Copilot Code, do Copilot Studio, do aplicativo do GitHub Copilot, da CLI e do VS Code, e passa a poder ser usada por qualquer desenvolvedor ou empresa que construa agentes próprios no Foundry.
De acordo com o anúncio, um harness é "tudo que está em volta do modelo": a camada que dá a um agente as instruções, o contexto, o ambiente de execução e os controles necessários para realizar uma tarefa, com suporte a padrões abertos como o MCP (Model Context Protocol), habilidades de agente (agent skills) e plugins de agente. O harness dá acesso a mais de 20 modelos de IA de fronteira, com a opção de o cliente usar a própria chave de API (BYOK), e direciona automaticamente cada tarefa para o modelo mais adequado a ela.
A Microsoft também informou que reescreveu o runtime do harness na linguagem Rust, o que resultou, segundo a empresa, em desempenho "líder do setor", com menos sobrecarga por sessão e menor tempo até a primeira resposta do modelo. Ainda de acordo com a Microsoft, o harness já opera na escala de milhões de usuários e centenas de casos de uso reais dentro dos produtos da própria empresa.
| Quem anunciou | Microsoft (Foundry e GitHub) |
|---|---|
| Quando | Quarta-feira, 28 de outubro de 2026 |
| O que é | Pré-visualização pública do Copilot harness no Foundry Agent Service |
| Modelos disponíveis | Mais de 20 modelos de fronteira, com opção de chave própria (BYOK) |
| Preço | Grátis antes de 01/12/2026; a partir dessa data, cobrança por consumo (vCPU e memória) |
| Brasil | Não informado |
O que muda para quem constrói agentes
O blog da equipe do Foundry detalha três caminhos para quem cria um agente no Foundry Agent Service. Agentes guiados por instrução sem o Copilot harness servem quando instruções e ferramentas já bastam para a tarefa. Agentes guiados por instrução com o harness entram quando o desenvolvedor quer habilidades reutilizáveis, execução gerenciada, arquivos, subagentes e coordenação mais complexa de ferramentas, sem manter o harness por conta própria. Já os agentes hospedados (hosted agents) servem a quem precisa trazer ou trocar o próprio framework, o loop do agente, o middleware, as dependências ou o comportamento de runtime, mantendo a hospedagem gerenciada pelo Foundry.
Durante a pré-visualização, o harness reúne quatro blocos: habilidades reutilizáveis (instruções, scripts e recursos empacotados em procedimentos que o agente aplica em várias tarefas), ferramentas conectadas (do próprio Foundry e via MCP, com autenticação e aprovações explicitamente configuradas), execução e delegação (o agente trabalha com arquivos e código, e delega tarefas limitadas a subagentes internos enquanto coordena o resultado) e definições de agente versionadas em controle de código, ao lado do restante da aplicação.
A Microsoft também anunciou, na mesma data, a disponibilidade geral da resiliência de execução longa para agentes hospedados: o Foundry passa a detectar interrupções e reiniciar automaticamente um trabalho que leva horas ou dias, a partir da entrada original, enquanto cabe à aplicação de cada cliente salvar o progresso e os resultados intermediários para retomar de onde parou.
O uso do runtime do harness no Foundry Agent Service é gratuito antes de 1º de dezembro de 2026. A partir dessa data, a cobrança passa a ser por consumo e pode variar por região e por contrato; a inferência do próprio modelo e outros serviços e ferramentas contratados à parte continuam sujeitos às suas cobranças normais. Durante o período de pré-visualização, agentes já criados não são afetados pela mudança, e ainda não é possível trocar o harness de um agente depois que ele foi criado.
| Item | Antes de 01/12/2026 | A partir de 01/12/2026 |
|---|---|---|
| Runtime do harness (sandbox de execução) | Grátis | US$ 0,0994/hora de vCPU + US$ 0,0118/hora de GiB |
| Inferência do modelo e demais serviços conectados | Cobrança normal, à parte | Cobrança normal, à parte |
Quem já está usando e o que muda no SDK
A Microsoft citou dois clientes que já usam o Copilot harness no Foundry Agent Service.
"Com o Microsoft Copilot harness no Foundry Agent Service, tínhamos uma solução rodando em menos de uma semana, o que nos permitiu focar no design e nas capacidades, em vez da infraestrutura por baixo", disse, em tradução livre, Chris Evans, diretor de tecnologia (CTO) da Confluence Technologies, segundo o anúncio da Microsoft.
A Fashable, do setor de moda, também aparece no anúncio: segundo a Microsoft, a empresa usa o harness para gerar pacotes técnicos completos a partir do próprio conhecimento e de modelos próprios, e para ampliar a rede de fornecedores por e-mail e voz além dos fornecedores já conectados digitalmente, mantendo as decisões comerciais sob controle humano.
Quem programa agentes diretamente sobre esse motor usa o GitHub Copilot SDK, disponível para Node.js, Python, Go, .NET, Java e Rust. Segundo a página do projeto, o SDK está sendo renomeado para Microsoft Copilot SDK, como interface de programação do harness compartilhado pela Microsoft e pelo GitHub, numa transição em fases: nomes de pacotes, namespaces e parte da documentação continuam citando o nome antigo por enquanto, sem necessidade de ação de quem já usa o SDK.
Por que importa
Harness é jargão de desenvolvedor, mas o padrão por trás da notícia interessa a quem decide tecnologia num negócio que não é de software: construir um agente de IA capaz de usar ferramentas e completar tarefas de várias etapas deixou de exigir montar do zero toda a camada de orquestração. A Microsoft empacota, como produto gerenciado, o mesmo motor que roda em escala nos próprios produtos dela, o que baixa a barreira para empresas de outros setores, como mostra o caso da Fashable no setor de moda, construírem agentes próprios sem manter uma equipe dedicada só à infraestrutura.
É o mesmo movimento que sustenta a prática que a Voh! chama de GEO: otimizar um site para ser encontrado e citado também por agentes de IA, não só pela busca tradicional. Quanto mais empresas usam harnesses como esse para automatizar pesquisa, atendimento e tarefas repetitivas, mais peso ganha a pergunta de como um negócio aparece quando quem procura a resposta é um agente de IA, e não uma pessoa direto no Google.