Marketing digital

Marketing Digital para Médicos: A Resolução CFM 2.336

Marketing digital para médicos é o uso de site, busca, redes sociais e anúncios dentro da Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024. Ela permite buscar clientela nas redes próprias e informar o valor da consulta, e veda sensacionalismo e promessa de resultado.

Publicidade médica em 2026

A publicidade médica no Brasil segue a Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024. O artigo 17 da resolução revogou a 1.974/2011, que regeu o assunto por mais de doze anos, e as Resoluções 2.126/2015 e 2.133/2015, que a alteravam. A vigência está no quadro comparativo do CFM entre as duas normas.

A mudança ainda não chegou à busca. Em 26 de setembro de 2026, abrimos as cinco páginas informativas do topo para “marketing digital para médicos”, de software e serviços para consultório, educação médica, portal de saúde e agência. Nenhuma cita o número da resolução, o RQE ou a Codame, a comissão que orienta e fiscaliza a publicidade em cada CRM. Uma delas é de 2017, anterior à norma atual, e lista só proibições.

TemaNorma anterior (1.974/2011)Resolução 2.336/2023
Valor da consultaO anexo proibia divulgar preço de procedimento e modalidade de pagamentoPermitido informar valor, meios e formas de pagamento (art. 9º, VI)
DescontoSem previsãoPermitido em campanha promocional, sem venda casada (art. 9º, VIII)
Clientela nas redes própriasSem esse esclarecimentoPode formar, manter e ampliar (art. 8º, § 2º)
Dados na página principal do perfilSem essa exigênciaObrigatórios em site, blog e rede social (art. 6º)
Repost de publicação de pacienteSem previsãoPassa a ser publicação do médico (art. 8º, § 3º)
Resultado de tratamentoSem previsãoPode revelar resultado comprovável sem identificar paciente (art. 9º, XVI)
Pós-graduação sem RQESem previsãoPode divulgar, seguida de NÃO ESPECIALISTA (art. 13, § 1º)

Explicação da norma, não parecer

O guia aplica o texto da resolução e do Manual ao site, à busca e ao anúncio, e avisa onde a norma não fala. A dúvida sobre uma peça específica tem porta oficial: o artigo 13, V, garante ao médico o direito de consultar a Codame do seu CRM.

O que é marketing digital para médicos

Marketing digital para médicos
É o uso de site, busca, redes sociais, aplicativos de mensagem e anúncios para tornar o médico conhecido e encontrável por quem procura atendimento, dentro do Código de Ética Médica e da Resolução CFM 2.336/2023.

A resolução divide a comunicação do médico em publicidade e propaganda, e as duas seguem as mesmas obrigações de identificação. O post que apresenta o consultório é publicidade, e o vídeo que explica uma doença é propaganda. O panorama dos outros setores regulados está no guia de marketing digital para empresas, e aqui entra o que é próprio da medicina.

Publicidade médica
É o ato de promover estruturas físicas, serviços e qualificações do médico ou dos estabelecimentos médicos, físicos ou virtuais. Propaganda médica é o ato de divulgar assuntos e ações de interesse da medicina. As definições estão no artigo 1º da Resolução 2.336.

Redes próprias do médico

Redes próprias, na resolução, são todos os canais que pertencem ao médico ou ao estabelecimento, e o site está na lista. O artigo 8º, § 1º, nomeia, entre outros, sites, blogs, Facebook, Instagram, YouTube, WhatsApp, Telegram, TikTok, LinkedIn e Threads, e acrescenta qualquer meio similar que venha a ser criado. O parágrafo seguinte é o que mais muda o planejamento:

“Nas redes próprias, a publicidade/propaganda poderá ter o objetivo de formação, manutenção ou ampliação de clientela, bem como dar conhecimento de informações para a sociedade.”

É o artigo 8º, § 2º, e ele separa a medicina de outras profissões regulamentadas. O advogado não pode captar clientela; o médico pode buscá-la nos próprios canais. O limite está em outro lugar: quando o médico dá entrevista ou publica artigo em veículo de terceiros, o artigo 10 manda que ele se porte como representante da medicina, sem angariar clientela.

Veículo de terceiros

Redes próprias do médico site, blog, Instagram, WhatsApp, TikTok, YouTube pode formar, manter e ampliar clientela art. 8º, § 2º horário e forma de marcar consulta art. 9º, IV nome, CRM e RQE na página principal art. 6º Veículo de terceiros jornal, rádio, TV, portal sem angariar clientela art. 10 sem endereço físico ou virtual art. 10, § 1º declara conflito de interesse art. 10, § 2º
O mesmo médico, duas regras. Nos canais dele a resolução admite buscar clientela; no veículo de terceiros ele fala como representante da medicina.

Resolução CFM 2.336 e o Código de Ética

A publicidade médica é regulada em camadas: a lei, o Código de Ética Médica, a Resolução 2.336, o Manual de Publicidade Médica e a aplicação de cada Conselho Regional. Cada camada responde uma pergunta diferente, e a de baixo sustenta a de cima.

Codame de cada CRM responde consultas, orienta e fiscaliza Manual de Publicidade Médica exemplos e regras de aplicação, da Codame do CFM Resolução CFM 2.336/2023 obrigações, permissões e vedações, em vigor desde 11/03/2024 Código de Ética Médica (Resolução 2.217/2018) cap. XIII, publicidade médica; art. 75, imagem de paciente Lei 3.268/1957 e Decreto-Lei 4.113/1942 base legal dos conselhos e da propaganda de médicos
As camadas da regra. A resolução é a que detalha o dia a dia, e a Codame de cada CRM aplica tudo ao caso concreto.

O Código de Ética Médica em vigor foi aprovado pela Resolução 2.217/2018 e revogou o código de 2009. No texto atual, o capítulo XIII trata da publicidade: o artigo 112 veda divulgar assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico, e o artigo 117 exige nome, número no CRM com o estado de inscrição e RQE quando o médico anuncia a especialidade. O artigo 75, no capítulo do sigilo, veda exibir pacientes ou imagens que os tornem reconhecíveis, mesmo com autorização.

A Resolução 2.336 detalha o capítulo em obrigações, permissões, proibições, deveres e direitos, e o artigo 2º obriga o médico a cumprir também o Manual que dela decorre. O Manual de Publicidade Médica, aqui na cópia publicada pelo CRM do Maranhão, traz exemplos de perfil, de site e de vídeo.

Codame: quem orienta e fiscaliza

Codame
É a Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos, que todo Conselho Regional de Medicina mantém, com no mínimo três membros, para responder consultas sobre publicidade, orientar os médicos e fiscalizar o que é divulgado. A regra está nos artigos 15 e 16 da Resolução 2.336.

A Codame é a porta para a dúvida antes da publicação, e também quem aparece depois dela. O artigo 16 dá à comissão o poder de rastrear divulgações em qualquer mídia, inclusive na internet, receber material anônimo e convocar o médico para orientar a suspensão imediata do anúncio, com registro em ata. A matéria com potencial de infração ao Código vai para a Corregedoria do CRM.

Médico e diretor técnico

Perante o CRM, quem responde pela peça depende de quem a publica. O artigo 3º põe na conta do médico o que ele divulga como pessoa física e na do diretor técnico-médico o que divulgam hospitais, clínicas, planos de saúde e afins. A peça do estabelecimento leva o nome e o registro dele no CRM, e o nome do diretor técnico com o CRM (art. 5º). A agência não está na lista do artigo 3º, e por isso nenhuma peça deveria ir ao ar sem a aprovação do médico.

CRM e RQE na publicidade

Toda peça de publicidade médica leva nome, número de registro no CRM acompanhado da palavra MÉDICO e, quando houver especialidade registrada, o número do RQE. É o artigo 4º da resolução, e ele vale para o post, o vídeo, o anúncio e a página do site.

RQE
É o Registro de Qualificação de Especialista, o número que o CRM dá ao título de especialidade ou de área de atuação registrado. Segundo o CFM, o médico só se anuncia especialista se concluiu residência cadastrada na Comissão Nacional de Residência Médica ou foi aprovado na prova de uma sociedade filiada à Associação Médica Brasileira.

Dados na página principal

O artigo 6º diz onde: em redes sociais, blogs, sites e congêneres, os dados ficam na página principal do perfil, ou equivalente. O Manual detalha que, com os dados na bio, cada post não precisa repeti-los, mas a peça compartilhada em outro perfil ou em aplicativo de mensagem, como WhatsApp e Telegram, precisa trazê-los na própria publicação. No vídeo para internet, a identificação aparece em todos os quadros, de forma legível.

Nome do médico MÉDICO · CRM-UF 000000 Especialidade · RQE 00000 Pós-graduação em área X NÃO ESPECIALISTA endereço · horário · como marcar art. 4º, I: nome, CRM e MÉDICO art. 4º, II: especialidade com RQE art. 13, § 1º: pós sem RQE art. 9º, IV e V: local e marcação tudo na página principal do perfil, do site ou do blog (art. 6º); os números são ilustrativos
O topo do perfil ou da home do site, linha por linha. A linha marcada é a que mais falta: CRM com a palavra MÉDICO.

Pós-graduação e NÃO ESPECIALISTA

O médico pode divulgar pós-graduação cadastrada no CRM que não gera RQE, desde que escreva NÃO ESPECIALISTA em caixa alta logo depois. É o artigo 13, § 1º, alíneas d e e, e o Manual pede a expressão na mesma fonte, no mesmo tamanho e na mesma cor do resto.

FormaçãoComo aparece na peçaBase
EspecialistaEspecialidade seguida do número do RQEArt. 4º, II
Duas especialidadesAté duas, com os RQE, e as áreas de atuação ligadas a elasArt. 13, § 1º, f
Pós lato sensu cadastradaMÉDICO(A) com pós-graduação em (área), NÃO ESPECIALISTAArt. 13, § 1º, d
Mestrado ou doutoradoMÉDICO(A) com pós-graduação em (Mestre, Doutor em), NÃO ESPECIALISTAArt. 13, § 1º, e
Sem título registradoNome, CRM e a palavra MÉDICOArt. 4º, I

A regra tem efeito direto na busca. O artigo 11, I, veda ao médico não especialista divulgar que trata sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas, porque isso confunde com a divulgação de especialidade. Uma página “tratamento de tireoide” no site de um clínico sem RQE na área esbarra nesse inciso, por maior que seja o volume de busca da palavra-chave.

Preço da consulta e desconto

O médico pode informar o valor da consulta, os meios e as formas de pagamento. A permissão está no artigo 9º, VI, e é uma das mudanças que o próprio CFM destaca no quadro comparativo: o anexo da norma de 2011 proibia divulgar preço de procedimento e modalidade de pagamento.

Artigo 9º da Resolução 2.336

O que se anunciaSituaçãoBase
Valor da consulta e forma de pagamentoPermitidoArt. 9º, VI
Planos e seguros de saúde aceitosPermitidoArt. 9º, V
Valor de procedimento particularInformar que será acordado antes do atendimentoArt. 9º, VII, e Manual
Desconto em campanhaPermitido, com os preços dos três meses anteriores acessíveis à auditoriaArt. 9º, VIII, e Manual
Pacote de consulta com exame, prêmio ou sorteioVedadoArt. 9º, VIII, e Manual
Atendimento gratuito em consultório privadoVedado, como concorrência deslealArt. 11, § 4º, c
Consórcio e similaresVedadoArt. 11, X

Procedimento e consulta grátis

O procedimento tem regra própria. Segundo o comentário do Manual ao artigo 9º, VII, o procedimento particular é individualizado e decorre de avaliação prévia, por isso o valor é acordado entre as partes antes da realização, e publicá-lo, com as imagens do ato, é tratado como sensacionalismo e autopromoção.

“Primeira consulta grátis” não passa

O artigo 11, § 4º, c, trata como concorrência desleal anunciar serviço médico gratuito em consultório privado. E a exposição de motivos da resolução dá como exemplo de oferta casada vedada o “faça a consulta e ganhe o exame”, por caracterizar mercantilismo.

Sensacionalismo e autopromoção

Sensacionalismo
É, na Resolução 2.336, divulgar procedimento para enaltecer a própria atuação, divulgar abordagem sem reconhecimento do CFM, manipular dado estatístico ou científico, mostrar em público técnica que deve ficar no ambiente médico, causar pânico ou medo e usar imagens de forma abusiva, enganosa ou sedutora que induzam à percepção de garantia de resultado. Está no artigo 11, § 2º.

Autopromoção médica

Autopromoção, que a resolução chama de promocional, é referir-se a si próprio ou ao serviço de modo a conferir propriedades e qualidades privilegiadas (art. 11, § 3º). Na redação de post, isso vira uma lista curta de frases que cruzam a linha.

  • “O melhor cardiologista da cidade”: qualidade privilegiada, art. 11, § 3º.
  • “Resultado garantido” ou “sem risco”: promessa de resultado, art. 11, XII.
  • “Única clínica da região com o aparelho X”: capacidade privilegiada, art. 11, II e IX.
  • “Técnica revolucionária” ainda sem aprovação do CFM: conteúdo inverídico, art. 11, § 5º.
  • Selo de “médico do ano” ou “destaque da especialidade”: nem permitir nem deixar de impedir a inclusão do nome, art. 11, XIII.
  • Página que promete revelar uma descoberta extraordinária depois do cadastro ou do pagamento: concorrência desleal, art. 11, § 4º, a.

O último item é para quem monta funil de captura. Material educativo com cadastro não é o problema; a promessa de algo milagroso atrás do formulário é.

Teste do nome do colega

O teste da frase

O teste é deste guia, e não da norma: troque o nome do médico pelo de um colega da mesma especialidade. Se a frase continua verdadeira, ela informa. Se ela só funciona para vender um médico contra os outros, ela promove, e o artigo 11 começa a valer. O que a resolução permite sem esse risco está no artigo 9º: ambiente de trabalho, equipe, equipamentos com as indicações registradas na Anvisa e comentário genérico sobre o prazer com o trabalho.

Antes e depois: as quatro etapas

A imagem de antes e depois é permitida com finalidade educativa, e só dentro de um conjunto que mostre indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações. É o artigo 14, II, b. Os dois quadros isolados continuam sendo sensacionalismo e autopromoção, segundo a apresentação do Manual, que transforma a regra em quatro etapas obrigatórias.

Manual de Publicidade Médica

1 2 3 4 Sinais e sintomas que pedem avaliação terceiro ou texto Antes 4 pacientes ou mais fotos reais Depois 4 pacientes ou mais sem edição Insatisfatórios e complicações o quadro que costuma faltar
O antes e depois que a norma aceita é um carrossel de quatro quadros, e não dois. O quarto é o que separa o conteúdo educativo da vitrine.

O Manual explica as etapas: a primeira mostra quando sinais e sintomas apontam para procurar um médico; a segunda e a terceira usam fotos ou vídeos reais de pelo menos quatro pacientes diferentes, antes e depois da intervenção; a quarta descreve resultados insatisfatórios e complicações, por ilustração, foto ou texto. O conjunto pode ser um vídeo ou uma página do site para a qual a rede social direciona.

Requisitos da imagem

  • Texto educativo junto: indicações, fatores que influenciam o resultado e complicações descritas na literatura (art. 14, II, a).
  • Variedade quando se aplica: biotipos e faixas etárias diferentes, e evolução imediata, mediata e tardia (art. 14, II, c).
  • Sem edição: nenhuma manipulação ou melhoramento da imagem (art. 14, II, f).
  • Paciente anônimo: mesmo com autorização, o rosto e o contexto não podem identificar ninguém (art. 14, II, e e i, e art. 75 do Código).
  • Autorização sem contrapartida: o paciente autoriza o uso da imagem, e o Manual veda oferecer vantagem ou desconto em troca.
  • Vídeo com tempo igual: cada imagem na tela pelo mesmo tempo, no mínimo dois segundos, segundo o Manual.

Mama, glúteo e região íntima ficam fora da rede

Segundo o Manual, imagem que exponha mamas femininas, região glútea ou região íntima é vedada em rede social e em qualquer meio de livre acesso. Ela só cabe em página do site, a landing page, com aviso de acesso exclusivo a maiores de 18 anos.

SEO para médicos

SEO para médicos é o trabalho de fazer as páginas do médico serem encontradas por quem pesquisa um sintoma, uma especialidade ou um atendimento, dentro das regras da publicidade médica. A técnica é a de qualquer site, e a régua é mais alta, porque o Google trata saúde como tema YMYL.

YMYL
É a sigla de “Your Money or Your Life”, o nome que o Google dá aos temas que podem afetar de forma significativa a saúde, a estabilidade financeira, a segurança ou o bem-estar das pessoas. Segundo a documentação do Google sobre conteúdo útil, nesses temas os sistemas dão ainda mais peso a conteúdo alinhado com E-E-A-T.

Para o médico, a prova do que o Google chama de experiência e especialização já é pública: nome, CRM e RQE, que a resolução obriga a mostrar. A página que explica uma condição, assinada por quem tem o título registrado na área, junta a exigência do CFM e o sinal que o buscador procura. O artigo 14, I, permite material educativo para a população sobre doenças e procedimentos, inclusive com imagens de sinais e sintomas que recomendem procurar avaliação.

A página do médico

A página do médico é onde a qualificação do artigo 13, § 1º, se cumpre inteira: diploma e instituição com a palavra MÉDICO(A), especialidade com RQE, pós-graduações com a marcação exigida, localização, horário e forma de marcar consulta, que os incisos IV e V do artigo 9º permitem. Foto do médico e da equipe no ambiente de trabalho está liberada pelo artigo 9º, I.

IndividualPhysician no schema

O schema.org tem um tipo para cada caso: IndividualPhysician, descrito como um profissional de medicina individual, e PhysiciansOffice para o consultório, os dois abaixo de Physician. A marcação ajuda a máquina a entender a página, mas não substitui a identificação visível que o artigo 6º exige.

{
  "@context": "https://schema.org",
  "@type": "IndividualPhysician",
  "name": "Nome do médico",
  "medicalSpecialty": "Dermatology",
  "url": "https://seudominio.com.br/medico/"
}

Artigo em portal e link

O artigo assinado pelo médico em jornal ou portal de terceiros segue o artigo 10, e não a regra das redes próprias. O § 1º veda, nessas ocasiões, divulgar endereço físico ou virtual e telefone, exceto os dados do artigo 4º. Na leitura deste guia, o link para o site do consultório no pé do artigo é endereço virtual. Estratégia de link que dependa de artigo de convidado em portal para público leigo precisa passar pela Codame antes.

GEO para médicos

GEO para médicos é a parte do SEO que cuida de o conteúdo do médico ser lido e citado nas respostas de IA. O guia do Google sobre busca com IA generativa diz que as práticas de SEO continuam relevantes porque esses recursos se apoiam nos sistemas centrais de ranqueamento e qualidade da Busca. O que é método e o que é mito está no guia sobre o que é GEO e AEO.

Conteúdo que não é commodity

O mesmo guia pede conteúdo que não seja commodity, aquele que qualquer um escreveria, e aponta a perspectiva de primeira mão como diferencial. A medicina tem uma vantagem aqui: o artigo 9º, XVI, permite revelar resultados comprováveis de tratamentos e procedimentos, desde que o paciente não seja identificado. O que o médico observa no consultório pode virar dado próprio, desde que não seja manipulado (art. 11, § 2º, c) nem vire promessa (art. 11, XII).

Página por bairro em escala

Página por bairro, em escala

O guia do Google avisa que criar conteúdo separado para cada variação de busca, com o objetivo principal de manipular o ranqueamento ou as respostas de IA, viola a política de abuso de conteúdo em escala. Uma página por especialidade com RQE, sim. Cem páginas “cardiologista em” com o mesmo texto e o nome do bairro trocado, não.

O guia também desmonta dois atalhos de proposta de agência, o arquivo llms.txt e o texto “fatiado” em pedaços pequenos, e indica que o Perfil da Empresa em ordem ajuda o negócio local a aparecer nas respostas de IA.

Perfil da Empresa para médicos

O Perfil da Empresa no Google é a ficha do consultório no mapa e na busca local, e as diretrizes do Google citam o médico como exemplo de profissional liberal. Segundo as diretrizes do Perfil da Empresa, ele pode ter perfil próprio se atende o público e pode ser contatado no local verificado, no horário informado, e o nome pode incluir título, como Dr. Um perfil por especialização não é permitido.

Consultório e clínica no Google

SituaçãoRegra do GoogleCuidado com o CFM
Consultório próprioUm perfil, com Dr. no nome se quiserCRM com MÉDICO e RQE na descrição e no site (arts. 4º e 6º)
Médico em clínica com outros médicosPerfil do local para a organização e perfil do médico só com o nome deleA peça da clínica leva o diretor técnico com CRM (art. 5º)
Duas especialidadesUm perfil só, sem perfil por especializaçãoAté duas especialidades divulgadas, com RQE (art. 13, § 1º, f)
Consultório em espaço compartilhadoSó com sinalização, atendimento no local e equipe no horárioConsultório dentro de farmácia, ótica ou loja de órteses é vedado (art. 11, XV)
Endereço só de correspondênciaEscritório virtual não é elegívelEndereço que não atende paciente pode ser lido como conteúdo inverídico (art. 11, XVI)

Demografia Médica no Brasil

A concorrência local explica por que o perfil pesa. A Demografia Médica CFM 2024 contou os médicos ativos no país e mostrou onde eles se concentram.

575.930

médicos ativos no Brasil em janeiro de 2024, com 7,03 por mil habitantes nas capitais e 1,89 no conjunto do interior

Demografia Médica CFM 2024, divulgada pelo Conselho Federal de Medicina em 8 de abril de 2024.

Avaliações e depoimentos

A Resolução 2.336 não menciona avaliação no Google, mas trata de duas situações que chegam a ela: o repost e o elogio reiterado. Pelo artigo 8º, § 3º, a publicação de paciente que o médico compartilha nas próprias redes passa a ser dele, com todas as regras. Pelo § 4º, elogios de pacientes à técnica e ao resultado, mesmo sem compartilhamento, devem ser investigados pela Codame quando ocorrem de modo reiterado ou sistemático.

Na notícia de lançamento do Manual, o CFM afirma que o médico pode repostar elogios de pacientes, desde que não de forma reiterada, e o relator da resolução, conselheiro Emmanuel Fortes, recomenda depoimento sóbrio, o critério do artigo 14, II, g.

Política do Google Maps

O Google tem regras próprias. A política de conteúdo do Google Maps permite pedir avaliação de experiência genuína, sem incentivo, e proíbe oferecer pagamento, desconto ou serviço em troca, pedir avaliação positiva de forma seletiva e pressionar o cliente a avaliar no local.

Postura segura

Pedir avaliação sem incentivo e sem escolher só quem vai elogiar é permitido pelo Google e não aparece como vedado na resolução. Repostar a avaliação no Instagram, ou exibi-la num widget do site, torna o texto do paciente publicação do médico, sujeita ao artigo 14: sóbria e sem promessa. Essa é a leitura deste guia, e a Codame do seu CRM é quem responde a dúvida sobre uma peça concreta.

Como responder a uma avaliação

A resposta a uma avaliação é publicação do médico, e o sigilo profissional vale nela. O artigo 73 do Código de Ética veda revelar fato conhecido no exercício da profissão sem motivo justo, dever legal ou consentimento por escrito do paciente, e a proibição continua mesmo quando o fato já é público. Os exemplos abaixo foram criados para este guia.

AvaliaçãoResposta que expõeResposta sóbria
Elogio a uma cirurgia“Que bom que a rinoplastia ficou como planejamos”“Obrigado pelo retorno. Seguimos à disposição.”
Reclamação de atraso“A senhora chegou vinte minutos depois do horário”“Lamentamos a experiência. Fale com o consultório pelo telefone para conversarmos.”
Avaliação que parece falsaDiscutir o caso em públicoDenunciar pela ferramenta do Google, sem comentar atendimento

Instagram e anúncios na Meta

O Instagram é rede própria do médico e segue a Resolução 2.336 inteira, stories incluídos. O artigo 6º, § 1º, põe os conteúdos temporários sob as mesmas regras, e o § 3º diz que o perfil que mistura vida privada e profissão obedece à identificação na página principal. A busca dentro da rede tem guia próprio: SEO no Instagram.

O anúncio pago tem duas réguas. A do CFM autoriza comprar espaço publicitário (art. 13, II) e, nas redes próprias, fazer publicidade para formar, manter ou aumentar a clientela (art. 13, III). A da Meta é a política de saúde e bem-estar dos Padrões de Publicidade, com registro de alteração em 23 de julho de 2026.

TemaResolução CFM 2.336Política da Meta
Antes e depoisSó no conjunto educativo de quatro etapas (art. 14)Permitido para procedimento cosmético, com público de 18 anos ou mais
Procedimento estéticoSem garantia nem promessa de resultado (art. 11, XII)Anúncio direcionado a 18 anos ou mais
Alegação de curaVedado método não reconhecido e conteúdo inverídico (art. 11, VII e § 5º)Vedado alegar cura de doenças da lista, como diabetes, câncer e Alzheimer
Tom do anúncioSem sensacionalismo, pânico ou medo (art. 11, § 2º)Sem isca de clique nem resultado específico em prazo definido, sem ressalvas
Aparência de quem vêSem imagem sedutora que induza garantia (art. 11, § 2º, f)Sem afirmação negativa sobre a aparência ou o corpo

Uma régua não substitui a outra. O anúncio aprovado pela Meta pode ser infração ética, e a peça ética pode ser recusada pela plataforma. Para cada peça, vale a mais restritiva das duas.

LGPD e sigilo no WhatsApp

O que o paciente conta sobre a própria saúde é dado pessoal sensível pela LGPD, no artigo 5º, II, e esse dado só pode ser tratado nas hipóteses do artigo 11. O Manual lembra que toda publicidade médica cumpre também a LGPD, e o sigilo do artigo 73 do Código de Ética se soma a ela. Na prática, isso muda quatro pontos de contato.

  • Formulário do site: nome, contato e motivo geral do contato. Sintoma, exame e histórico ficam para a consulta.
  • WhatsApp do consultório: horário, forma de marcação e valor da consulta podem ser informados (art. 9º, IV e VI). Orientação clínica por mensagem no lugar da consulta é o que o artigo 11, XI, veda, salvo o que for regulamentado para a telemedicina.
  • Chatbot: triagem administrativa sim; juízo de diagnóstico não.
  • Lista de transmissão: a peça enviada leva nome, CRM e RQE, porque o Manual exige a identificação na publicação compartilhada em aplicativo de mensagem.

Checklist de publicidade médica

Cinco conferências de poucos minutos mostram se o site, o Instagram e o Perfil da Empresa cumprem o básico da Resolução 2.336. É triagem feita pelo próprio médico, e não o parecer da Codame.

  1. Abra a norma, não o resumo Leia a resolução e os capítulos 5 a 7 do Manual. Deu certo quando você acha os artigos 4º, 9º e 11 sem pesquisar.
  2. Compare as três páginas principais Home do site, bio do Instagram e Perfil da Empresa. Deu certo quando os três mostram o mesmo nome, o mesmo CRM com a UF, a palavra MÉDICO e o mesmo RQE.
  3. Procure as frases de risco no domínio No Google, busque site:seudominio.com.br "garantido" e repita com “melhor”, “grátis”, “revolucionário” e “único”. Deu certo quando cada ocorrência foi lida e reescrita.
  4. Abra o último antes e depois Confira as quatro etapas, o anonimato do paciente e a ausência de edição. Faltou o quarto quadro, a peça sai.
  5. Preencha o próprio formulário Se ele pede sintoma ou exame antes da consulta, corte os campos.
  • Identificação completa na página principal. Nome, CRM com MÉDICO e RQE, em cada canal
  • Nenhuma promessa de resultado. Nem no post, nem no anúncio, nem na resposta ao paciente
  • Preço só onde a norma deixa. Consulta sim, procedimento individualizado não
  • Nenhum paciente reconhecível. Nem em foto de bastidor, nem em vídeo de consultório

Agência de marketing para médicos

A agência entra quando o volume de conteúdo, a concorrência local e a medição mês a mês passam do que o consultório consegue revisar sozinho. Duas especialidades, três endereços, blog semanal e anúncio rodando pedem processo, e cada peça continua precisando da aprovação de quem responde por ela no CRM.

Proposta que conhece a norma

Proposta que preocupaProposta que conhece a norma
Não cita a Resolução 2.336 nem a CodameMonta o plano sobre a resolução, o Manual e o Código de Ética
Mostra antes e depois em dois quadros no portfólioExplica o conjunto de quatro etapas antes de propor a peça
Vende pacote de avaliações por mêsNão promete avaliação, e trata o repost como publicação do médico
Publica no calendário sem aprovaçãoNada vai ao ar sem o médico aprovar
Promete posição, agenda cheia ou número de pacientesDá estimativa de prazo, dita como estimativa

Como a Voh! trabalha

É esse o trabalho que a Voh! faz. A Voh! é uma agência especializada em SEO e GEO: busca orgânica no Google e presença nas respostas de IA, que é o foco central da casa, em qualquer site que precise ser encontrado, do institucional à loja virtual. Quando o projeto pede, ela também cria o site ou a loja, faz gestão de tráfego no Meta Ads e no TikTok Ads e gestão de redes sociais, com proposta própria para cada frente. O que não muda é a ordem: o orgânico vem primeiro, porque é o ativo que fica. Na busca orgânica são três formas de começar, uma auditoria gratuita, um pacote de implementação com seis meses de acompanhamento e o SEO Mensal, que não exige fidelidade. O diagnóstico vem sempre antes da proposta, porque orçar sem olhar o site é chute. E não existe garantia de posição: o algoritmo é do Google, e quem promete o contrário está prometendo uma decisão que não é dele. Para a história e o método, leia sobre a Voh!.

Como agência de marketing digital que trabalha o orgânico primeiro, a Voh! não dá parecer ético e não substitui a consulta à Codame. O que ela faz é montar o SEO e o GEO do consultório sobre o texto da Resolução 2.336, com o médico aprovando cada peça antes de ir ao ar. Para o diagnóstico do que já está publicado, com o que a norma pede para revisar, o caminho é um só. Fale com a Voh!

Os limites da publicidade médica

O marketing digital para médicos tem limites que técnica nenhuma remove, e parte deles vem da própria norma.

  • Agenda cheia na semana que vem. SEO e GEO levam meses, numa estimativa realista de três a seis meses, e é estimativa.
  • Especialidade sem RQE. O artigo 11, I, fecha a página “trata a doença X” para o não especialista, e nenhuma palavra-chave muda isso.
  • Procedimento que vive de vitrine. O antes e depois de quatro etapas é trabalhoso de propósito, e a Meta ainda restringe o público.
  • Falta de tempo para revisar. Sem a aprovação do médico, o marketing para, ou segue sem controle, e quem responde no CRM é ele.
  • Norma silenciosa. Avaliação no Google, link em artigo de portal e widget de depoimento dependem da leitura da Codame.
  • Garantia de posição. Ninguém garante posição no Google, nem a leitura que a comissão fará de uma peça.
  • Atendimento que o marketing não conserta. Atraso e descaso viram avaliação ruim, e nenhuma técnica de busca corrige isso.

A Resolução 2.336 em 10 pontos

  • A Resolução CFM 2.336/2023 vale desde 11 de março de 2024 e revogou a 1.974/2011.
  • Site, blog, Instagram e WhatsApp são redes próprias, onde o médico pode buscar clientela.
  • Em veículo de terceiros o médico fala como representante da medicina, sem endereço nem clientela.
  • Toda peça leva nome, CRM com a palavra MÉDICO e RQE, na página principal do perfil ou do site.
  • Pós-graduação sem RQE leva NÃO ESPECIALISTA, e o não especialista não anuncia que trata doença específica.
  • O valor da consulta pode ser divulgado; o do procedimento individualizado, não.
  • Antes e depois só em conjunto educativo de quatro etapas, sem edição e sem paciente reconhecível.
  • Saúde é tema YMYL, e o RQE na página é a prova de especialização que a busca procura.
  • Repost de avaliação vira publicação do médico, e o Google proíbe incentivo em troca de avaliação.
  • Anúncio segue a resolução e a política da Meta ao mesmo tempo, e vale a mais restritiva.

Com a norma lida na fonte e os três canais conferidos, o passo seguinte é revisar o que já está publicado, peça por peça. Fale com a Voh!: o diagnóstico é gratuito e volta por escrito.

Perguntas frequentes

Médico pode fazer marketing digital?

Pode. A Resolução CFM 2.336/2023 considera sites, blogs e redes sociais do médico como redes próprias e, no artigo 8º, § 2º, permite que a publicidade nelas tenha o objetivo de formar, manter ou ampliar a clientela. Continuam vedados o sensacionalismo, a autopromoção, a concorrência desleal e a promessa de resultado.

Médico pode divulgar o preço da consulta?

Pode. O artigo 9º, VI, da Resolução 2.336 permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento, e o inciso VIII permite desconto em campanha promocional, sem venda casada nem premiação. Para procedimento particular, a regra é informar que o valor será acordado antes do atendimento.

Médico pode pedir avaliação no Google?

A Resolução 2.336 não trata de avaliação no Google. O Google permite pedir avaliação de experiência genuína, sem incentivo e sem escolher só quem vai elogiar. Ao repostar a avaliação, ela vira publicação do médico pelo artigo 8º, § 3º, e deve ser sóbria. Na dúvida, consulte a Codame do seu CRM.

Qual resolução do CFM regula a publicidade médica?

A Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024. O artigo 17 dela revogou a Resolução 1.974/2011 e as Resoluções 2.126/2015 e 2.133/2015. O Código de Ética Médica de 2018 e o Manual de Publicidade Médica do CFM completam as regras.

Médico pode postar foto de antes e depois?

Pode, com finalidade educativa e dentro de um conjunto. O artigo 14 da Resolução 2.336 exige texto educativo e imagens com indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, sem edição e sem identificar o paciente. O Manual de Publicidade Médica pede imagens de pelo menos quatro pacientes antes e depois.

O que precisa aparecer no perfil do médico?

Nome, número de registro no CRM acompanhado da palavra MÉDICO e, quando houver especialidade registrada, o número do RQE. Pelo artigo 6º da Resolução 2.336, esses dados ficam na página principal do perfil, do site ou do blog, e o Manual pede que a peça compartilhada em aplicativo de mensagem os traga na própria publicação.

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