Tráfego pago

Meta suspende por tempo indeterminado os termos que ampliavam a raspagem de conteúdo

A empresa recuou depois de meses de pressão de editoras, parlamentares dos Estados Unidos e liminares no Brasil e na Noruega, e os termos atuais continuam valendo sem data marcada para mudar.

Prédios coloridos dos escritórios da Meta em Menlo Park, na Califórnia, vistos do outro lado de um lago
Escritórios da Meta em Menlo Park, na Califórnia. Imagem: Anthony Quintano/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A Meta suspendeu, na quinta-feira (5), por tempo indeterminado a entrada em vigor dos termos comerciais que ampliariam a coleta de conteúdo de contas comerciais no Facebook, no Instagram, no WhatsApp e no Threads, que tinham vigência marcada para 20 de novembro, segundo atualização publicada pela própria empresa em sua central de ajuda para empresas.

O que você precisa saber

  • A Meta suspendeu por tempo indeterminado, a partir de quinta-feira (5), a entrada em vigor dos termos comerciais que ampliariam a coleta de conteúdo de contas comerciais no Facebook, no Instagram, no WhatsApp e no Threads.
  • Os termos atingidos são os Termos Comerciais, os Termos de Catálogo de Produtos, os Termos de Anúncios de Autosserviço e os Termos de IA Generativa para Criação de Anúncios, que tinham vigência marcada para 20 de novembro de 2026.
  • A empresa retirou do ar a página de prévia dos novos termos e não anunciou nova data para a entrada em vigor.
  • Segundo a Meta, as práticas de rastreamento da empresa não mudam, e o robots.txt continua sendo a forma de sinalizar preferência de coleta de conteúdo.
  • No Brasil, a Justiça de São Paulo já havia suspendido, em liminar de 3 de novembro, o trecho que exigia autorização das empresas associadas à ANJ, à Abert e à Aner para a Meta treinar a Meta AI com o conteúdo delas.

O que a Meta anunciou

A empresa retirou do ar a página que trazia a prévia dos novos Termos Comerciais, dos Termos de Catálogo de Produtos, dos Termos de Anúncios de Autosserviço e dos Termos de IA Generativa para Criação de Anúncios, que tinham entrada marcada para 20 de novembro de 2026.

A Meta escreveu, em tradução livre, na própria central de ajuda: "Já informamos que estávamos atualizando os Termos Comerciais da Meta, os Termos de Catálogo de Produtos, os Termos de Anúncios de Autosserviço e os Termos de IA Generativa para Criação de Anúncios. Essas atualizações estão pausadas e não vão entrar em vigor em 20 de novembro de 2026. Continuamos consultando as partes interessadas e vamos informar quando tivermos mais novidades. Enquanto isso, nossos termos atuais permanecem em vigor."

O site de jornalismo Nieman Lab, que revelou os novos termos em 15 de outubro e noticiou a pausa em primeira mão, obteve confirmação direta da empresa. Uma porta-voz da Meta disse, em tradução livre: "Estamos pausando as mudanças enquanto continuamos a conversar com as partes interessadas e usamos nosso tempo para fazer isso da forma certa."

A Meta não anunciou nova data para a entrada em vigor dos termos revisados. Segundo a Olhar Digital, também não ficou claro se a empresa vai apresentar uma nova versão da proposta ou abandoná-la.

Ficha rápida
Quem anunciouMeta (dona do Facebook, do Instagram, do WhatsApp e do Threads)
QuandoQuinta-feira, 5 de novembro de 2026
O que foi pausadoTermos Comerciais, Termos de Catálogo de Produtos, Termos de Anúncios de Autosserviço e Termos de IA Generativa para Criação de Anúncios
Nova data de vigênciaNão informada
BrasilTermos atuais continuam valendo; liminar da Justiça de SP (3/11) já suspendia o trecho para associadas da ANJ, da Abert e da Aner

A pressão que levou à pausa

A pausa chega depois de semanas de contestação de veículos de comunicação, autoridades e representantes do setor editorial, segundo a Olhar Digital. No Brasil, a Justiça de São Paulo já havia suspendido, em liminar de 3 de novembro, o trecho dos termos que exigia das empresas associadas à ANJ, à Abert e à Aner autorização para a Meta usar o conteúdo delas para treinar a Meta AI.

  • Um tribunal da Noruega concedeu liminar parecida para impedir a entrada em vigor dos termos, a pedido de organizações de mídia do país, segundo o Nieman Lab.
  • No Reino Unido, a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) abriu investigação formal para avaliar se a Meta estaria "abusando de uma posição dominante ao impor termos exploratórios a editoras e anunciantes", segundo o Nieman Lab.
  • Nos Estados Unidos, os senadores Adam Schiff (Democrata da Califórnia) e Marsha Blackburn (Republicana do Tennessee) enviaram, no fim de outubro, cartas ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, pedindo a retirada dos novos termos, segundo o Nieman Lab.

O que muda

A tabela resume o que muda com a pausa anunciada em 5 de novembro, a partir do texto publicado pela própria Meta na central de ajuda para empresas.

SituaçãoTermos com vigência marcada para 20/11Depois da pausa de 5/11
Vigência dos novos termos20 de novembro de 2026Sem data. Pausados até novo aviso
Termos comerciais em vigorSeriam substituídos pelos novos termosOs termos atuais permanecem em vigor
Página de prévia dos novos termosNo ar, em facebook.com/legal/commercial_terms_previewRetirada do ar
O que muda com a pausa anunciada em 5 de novembro Fonte: Meta, central de ajuda para empresas (5/11/2026)

Por que importa

Para quem administra Página, catálogo ou campanha de anúncio no Facebook ou no Instagram, a pausa não muda o que está em vigor: os Termos Comerciais atuais, sem a ampliação de raspagem anunciada em outubro, continuam valendo, sem data marcada para a troca. A Meta também repete que suas práticas de rastreamento não mudaram e que o robots.txt do próprio site segue sendo o canal que ela reconhece publicamente para sinalizar preferência de coleta, o que reforça que revisar esse arquivo continua sendo um cuidado prático, qualquer que seja o rumo dos novos termos.

A sequência de adiamentos, de 30 de outubro para 20 de novembro e, com a pausa anunciada em 5 de novembro, para data nenhuma, depois de liminares em dois países e investigação formal no Reino Unido, mostra que pressão coordenada de editoras, parlamentares e reguladores pode mudar o calendário de uma proposta de termos de uso de uma plataforma grande, mesmo sem decisão final sobre o mérito da disputa. Quem decide investimento em tráfego pago ou em gestão de redes sociais na Meta ganha tempo, mas não terreno: vale acompanhar o próximo aviso da empresa com a mesma atenção que os adiamentos anteriores já exigiram.

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